Presente no Universo Cinematográfico da Marvel Studios há quase 10 anos, desde que fez sua estreia em Homem de Ferro 2, a Viúva Negra de Scarlett Johansson finalmente ganhará seu filme solo. E, nesta terça-feira (2) os fãs tiveram uma inesperada primeira olhada com o trailer oficial, lançado durante a madrugada. Analisando a prévia, não traz nada de muito diferente do que a expectativas anteriores.

O longa claramente é um prelúdio. Afinal, Natasha Romanoff se sacrificou em Vingadores: Ultimato, permitindo que os heróis recuperassem uma das Joias do Infinito para derrotar Thanos. Dito isso, foi revelado que Viúva Negra se passa entre os eventos de Capitão América: Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita, período em que os heróis se separaram e boa parte deles precisou fugir em anonimato – Natasha, inclusive.

Casos de família

É aqui onde o trailer dedica boa parte de seu material, mostrando o reencontro de Natasha com figuras marcantes de seu passado, e que são reveladas como sua família. A primeira delas é a Yelena Bolova de Florence Pugh (Midsommar: O Mal Não Espera a Noite), que é descrita pela protagonista como “irmãzinha”. Nos quadrinhos, e certamente no filme, Yelena passou pelo mesmo treinamento da Viúva Negra na Sala Vermelha, indicando que a relação “de irmãs” provavelmente não é de sangue, mas sim de convivência pelo cruel processo russo que garantiu a elas suas habilidades de combate.


Mais para frente, o adorado David Harbour (Stranger Things) aparece como Alexei Shostakov, que adota a identidade do Guardião Vermelho – personagem que, nos quadrinhos, é a versão russa do Capitão América. Como as produções da Marvel Studios sempre se deixam levar pelo pastelão, Alexei está bem mais gordo e até temos piadas quando ele desajeitadamente coloca seu velho uniforme. Ele e a Viúva Negra já foram amantes e inimigos nos quadrinhos, mas a posição da cena aqui – que também traz a misteriosa Melina, vivida por Rachel Weisz (A Favorita) indica uma relação amistosa e – novamente – familiar, como é reforçada por Alexei em um “jantar” que traz ainda Natasha e Yelena.

Certamente teremos elementos para tornar a personagem de Natasha Romanoff mais interessante, assim como expandir sua mitologia. Inclusive, uma cena traz o General Everett Ross de William Hurt (O Incrível Hulk) nitidamente rejuvenescido com efeitos visuais, indicando que a história pode envolver flashbacks ainda mais distantes no passado da heroína – inclusive, temos um vislumbre de Budapeste, que sempre foi um evento mencionado por Natasha e seu melhor amigo, o Gavião Arqueiro de Jeremy Renner.

Máquina do MCU

Mas falando em termos estéticos, Viúva Negra parece seguir o mesmo padrão genérico do MCU. O cinza domina, os tons de preto da fotografia são baixíssimos e o estilo de luta introduzido pelos irmãos Joe e Anthony Russo em Capitão América: Soldado Invernal parece dominar os combates corporais. Paralelamente, o tom mais realista entre em choque com os oponentes espalhafatosos (a internet realmente detestou o visual do Treinador, mais apropriado a uma série dos Power Rangers) e o CGI surpreendentemente excessivo em uma cena grandiloquente que traz de volta o clichê de “coisas caindo do céu” do MCU. Quem esperava uma aventura menor e mais violenta, vai ficar chupando o dedo.

Plasticamente, parece uma produção pouco inspirada, ainda mais quando a cineasta Lucrecia Martell revelou que a Marvel não a deixaria conduzir as cenas de ação. O nome de Cate Shortland pode estar na direção, mas agora fica aquela pulga atrás da orelha gritando que todas as cenas de ação vistas aqui foram idealizadas e planejadas por outras pessoas – antes mesmo da produção ter início. A máquina continua.

Viúva Negra chega aos cinemas brasileiros em 30 de abril de 2020.