Mulher-Maravilha 1984 e Stranger Things têm uma coisa em comum

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Os shoppings nos Estados Unidos não têm tanta importância hoje como costumavam. Outrora vestíbulos para o sonho suburbano, os shoppings simbolizavam a cultura jovem e a proliferação do consumismo.

Agora, entre a ascensão da era da informação e os efeitos financeiros devastadores da última recessão, os shoppings não são tão essenciais. Muitas pessoas optam por fazer a maior parte de suas compras on-line, e um ressurgimento dos centros das cidades provou ser uma opção mais acessível para muitos.

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Como resultado, muitas representações famosas de shoppings em filmes – seja Despertar dos Mortos, de George A. Romero, ou Barrados no Shopping, de Kevin Smith – simplesmente não parecem relevantes em 2019.

Dito isto, a nostalgia vende, e as gerações mais velhas, principalmente as que cresceram nos subúrbios, ainda reconhecem a libertação que os shoppings representavam. O mero pensamento de passear em um shopping com os amigos depois da escola e se envolver nas atividades mais triviais traz de volta memórias.

Essa é provavelmente a razão pela qual vários trabalhos de gênero usaram recentemente shoppings em suas histórias.

Tomemos, por exemplo, a terceira temporada de Stranger Things, na qual a venerável série de ficção científica dos anos 80 girou em torno de uma nova abertura de shopping em Hawkins, Indiana. E o programa usou o contexto histórico dos shoppings para conduzir a narrativa.

A ascensão dos shoppings nos anos 80 costumava causar desconforto para as pequenas empresas, que temiam que as redes de shopping acabassem com os negócios.

Nostalgia em alta

A inclusão de um shopping por Stranger Things chamou a atenção de Vicki Howard, historiadora de shopping. Em uma entrevista ao SYFY, Howard disse que estava muito impressionada com o valor de produção do shopping no programa.

“Eu olhei para o trailer e não sabia dizer se era um clipe real de uma promoção real ou se era ficção, e já vi muitas delas, por isso me pareceu altamente preciso. Até a música e a maneira como eles promoveram o shopping como essa visão otimista e alegre de compras.”

Howard também comentou sobre a trama aparentemente absurda da temporada, que envolveu o prefeito da cidade aceitando dinheiro dos soviéticos em troca deles usarem o shopping como cobertura para uma base subterrânea. Acontece que não é tão absurdo!

Bem, não, os russos nunca construíram um laboratório em solo americano durante a Guerra Fria para realizar experimentos doidos. No entanto, o cenário é uma alegoria válida para algo que aconteceu em shoppings: grandes empresas costumavam fazer acordos secretos com políticos locais para construir shoppings.

Os shoppings também parecem ter presença em Mulher-Maravilha 1984. Pelo trailer recém-lançado, podemos ver que ela estará lutando em um shopping.

A diretora Patty Jenkins disse que uma das razões pelas quais eles decidiram fazer o filme na década de 1980 foi porque “esse é o auge da civilização ocidental e o sucesso do mundo em que todos vivemos depois de agora”. Lembre-se, os shoppings podem provar ser um cenário ainda maior no filme do que o trailer sugere.

A ideia por trás dos shoppings

No ano passado, Ian Bogost argumentou que, por meio do consumismo, os shoppings americanos permitiram que a classe média se tornasse parte da cidadania global. Victor Gruen – um arquiteto austríaco que projetou o primeiro shopping em 1956 em Edina, Minnessota – queria transferir um senso modernista de comunidade, inspirado em cidades europeias como Paris e Viena, para os subúrbios americanos.

Ele queria construir centros para compras, mas também para oportunidades sociais, e até pretendeu que essas instituições abrigassem um dia assistência médica, bibliotecas, espaço residencial e afins. Embora essas ambições não tenham sido totalmente concretizadas, ele conseguiu fazer dos shoppings um pilar dos subúrbios dos Estados Unidos.

Talvez Mulher-Maravilha 1984 canalize alguns dos objetivos de Gruen. O trailer destaca que os anos 80 foram uma época em que a mídia e a sociedade instavam os cidadãos a olhar para o futuro.

Talvez muito possa ser lido na cena em que Diana explica a Steve Trevor que neste novo mundo “é tudo arte”. Diana provavelmente está se referindo às estruturas e arquitetura meticulosas, mas Trevor usa isso como uma sugestão para observar um determinado objeto, o que Diana explica comicamente para ele é “apenas uma lata de lixo”.

É definitivamente um momento que vale uma ou duas risadas, mas também pode ser um comentário astuto questionando onde o comércio e a cultura na década começaram e terminaram.

Os shoppings têm ressonância simbólica na cultura nerd. Embora não seja provável que essas instituições sejam mantidas com o mesmo respeito pelas gerações posteriores, a mídia contemporânea descobriu que elas podem servir como o local de cenas empolgantes e de retrospectiva contemplativa.

Mulher-Maravilha 1984 estreia em 4 de julho de 2020.

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