Vingadores: Ultimato foi o filme mais popular de 2019. Com o recorde de maior bilheteria de todos os tempos, o longa agradou a maior parte dos fãs da Marvel, que esperavam ansiosamente pela conclusão da Saga do Infinito, contada ao longo de 22 filmes.

Além de ter sido um sucesso de público, Vingadores: Ultimato foi um sucesso de crítica, tendo a aprovação de 94% no Rotten Tomatoes.

Mesmo com todas essas pequenas vitórias, Vingadores: Ultimato não conseguiu chegar ao Oscar 2020 com tanta força.


Enquanto Coringa, da DC, aparece com 11 indicações a premiação, Vingadores: Ultimato aparece de forma modesta, com apenas uma indicação na categoria de Melhores Efeitos Visuais.

Por que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que constitui os votantes do Oscar, gosta de Coringa mas “despreza” Vingadores: Ultimato? Vamos falar sobre isso neste artigo.

Vingadores: Ultimato não é um “filme de Oscar”

Quando chegamos perto da época do Oscar, as pessoas sempre tentam definir o que é um “filme de Oscar”, ou seja, quais características tornam um filme atrativo para os votantes da premiação.

Filmes baseados em fatos reais, dramas intensos com grandes atuações, filmes de guerra grandiosos… Todos esses são atrativos para a Academia. Por outro lado, produções focadas em coisas fantásticas (como super-heróis), costumam ser esnobadas pelo Oscar – existem algumas raras exceções, como O Senhor dos Anéis.

É aí que Vingadores: Ultimato larga atrás de Coringa. Por mais grandioso e bem executado que seja, Vingadores: Ultimato simplesmente não tem “cara” de Oscar.

É um filme que depende dos outros 21 anteriores para ser entendido. É um filme com grandes cenas de ação, mas poucos diálogos. Existem sim algumas discussões sociais escondidas no roteiro, mas o grande foco de Vingadores: Ultimato é resolver a Saga do Infinito e encerrar o embate dos heróis contra Thanos.

Coringa, mesmo existindo dentro do universo de super-heróis, consegue ultrapassar essa barreira, se estabelecendo como um típico filme de Oscar.

Coringa é a cara do Oscar

Coringa tem várias características que o credenciam ao Oscar. O longa dirigido por Todd Phillips é um drama denso, com uma atuação hipnotizante de Joaquin Phoenix e com um roteiro que faz comentários e críticas sociais quase que o tempo todo.

Além disso, Coringa é um filme que se resolve sozinho. Espectadores casuais, que nunca assistiram a um filme da DC Comics, conseguem entender a história com facilidade. O mesmo não acontece com Vingadores: Ultimato, que se apoia muito nos filmes anteriores.

Filmes diferentes, objetivos diferentes

No fim das contas, não estar no Oscar com a mesma força de Coringa não é uma falha de Vingadores: Ultimato.

Os dois filmes são voltados para públicos diferentes e possuem objetivos distintos dentro da indústria cinematográfica. É possível que ambos sejam apreciados, dentro de suas particularidades.

A força de dois filmes tão diferentes no mesmo período só mostra como o gênero de super-heróis vem se diversificando nos últimos anos. Os fãs da Marvel e da DC só têm a ganhar com essa diversidade.

A cerimônia do Oscar 2020 será realizada neste domingo (9).