Star Wars: Por que você deve dar uma segunda chance para a nova trilogia

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Eu realmente não achei que precisasse estar escrevendo este artigo. Não achei que a nova fase de Star Wars na Disney precisaria de algum tipo de defesa, afinal representam o melhor que a saga já apresentou em muito tempo no cinema, mas aqui estamos nós; já que é difícil de agradar a todos e neste 4 de maio é o Star Wars Day. Por que a nova trilogia da Disney merece uma segunda chance?

Eu nem sabia que precisaria de uma segunda, já que fui conquistado logo de primeira…

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A saga retornou em 2015, quando J.J. Abrams lançou Star Wars: O Despertar da Força. O filme quebrou recordes de bilheteria e abocanhou ótimas críticas, mas havia uma reclamação em comum: a trama era similar demais com a estrutura de Uma Nova Esperança, algo que o próprio Abrams admitiu posteriormente.

É um demérito, sim, mas em prol de uma boa causa: reaproximar o público com o Star Wars raiz, que foi apresentado ao mundo em 1977. Era necessário um retorno às origens após a radicalmente diferente trilogia prelúdio com A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith. Considerando que os filmes foram decepções para a crítica e a maioria dos fãs veteranos (mas não deste que vos escreve), Star Wars precisava ser “salvo” nos cinemas.

O Despertar da franquia

Além disso, O Despertar da Força trouxe algo que estava em falta na franquia: talento cinematográfico. O Episódio VII trouxe um elenco formidável de uma nova geração, que deram vida a alguns dos personagens mais carismáticos da saga: Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver e Oscar Isaac foram todos catapultados ao estrelato, e garantem um sopro de ar fresco após os prelúdios contarem com atores ruins e estrelas com potencial desperdiçado – o próprio George Lucas já deixou claro que direção de atores não é seu forte.

Aqui, os personagens voltaram a importar, principalmente por olhar para uma das figuras mais anônimas e icônicas da franquia – o Stormtrooper – e lhe oferecer um peso dramático original e estimulante.

E Abrams é um diretor apaixonado. O diretor voltou às raízes cinematográficas e apostou em locações reais, efeitos especiais práticos e até retomou a película 35mm na fotografia. É um filme ágil e inteligente do ponto de vista do espetáculo, e que conta com um ritmo sobrenatural graças à montagem de Maryann Brandon e Mary Jo Markey – merecidamente indicadas ao Oscar por seu trabalho.

A fotografia de Dan Mindel também explora a iluminação dos sabres de luz uma maneira nunca antes vista na saga, criando duelos intimistas e esteticamente belos. Portanto, ainda que tenha um pé no passado, O Despertar da Força não deixa de olhar para o futuro, tanto no quesito artístico quanto na decisão de colocar uma mulher à frente da franquia.

Defendendo os Últimos Jedi

Eis que chegamos a Os Últimos Jedi e a bomba explode. Se o Episódio VII era familiar e convencional demais, Rian Johnson virou a galáxia de ponta cabeça com o subversivo Episódio VIII – e por algum motivo, parcela do público se demonstrou insatisfeita com o resultado.

Nem vou levar em consideração as opiniões misóginas e sexistas acerca de Os Últimos Jedi (que não são poucas, infelizmente), mas sim defender as escolhas de Johnson como cineasta. O diretor e roteirista partiu da ideia de abandonar tradições e iniciar algo novo com Star Wars; explicando porque Luke Skywalker atira seu sabre para longe logo no começo do filme, ou porque Kylo Ren esmaga seu capacete inspirado em Darth Vader ou até mesmo porque o suposto grande vilão, Snoke, se mostra como um elemento descartável antes do fim do longa.

São todas decisões que respeitam a temática do filme e ainda o tornam mais empolgante e imprevisível. Não apenas como pontos de roteiro, mas também deslumbrantes imagens que Johnson foi capaz de produzir ao lado do diretor de fotografia Steven Yeudlin.

Arrisco a dizer que Rian Johnson seja o diretor mais talentoso que já trabalhou na franquia, trazendo enquadramentos ousados e intimistas, do tipo que nunca haviam sido nem arriscados em qualquer um dos outros filmes. Claro, a visão de George Lucas no primeiríssimo Star Wars não pode ser subestimada, mas o que Johnson faz em Os Últimos Jedi eleva Star Wars a algo muito mais estimulante e belíssimo, trazendo todas as referências ao cinema japonês que Lucas tanto preza.

Fechou com chave de ouro?

O que nos leva a A Ascensão Skywalker, que promete ser o episódio derradeiro da saga principal nos cinemas. J.J. Abrams está de volta e faz um filme definitivo que amarra todos os anteriores, o que é diferente da proposta de Johnson de “deixar o passado morrer”, mas mostra-se sensato na proposta de ser um ultimato.

Apesar dessa colocações, o Episódio IX é o pior da franquia. Temos bons momentos com os personagens e cenas de ação pontualmente divertidas, mas o roteiro comandado por J.J. Abrams é uma atrocidade estrutural, com uma sucessão de ideias ruins e desfechos forçados.

No fim, a trilogia da Disney ainda merece destaque e elogios por sua execução. É um primor nos quesitos técnicos e elenco, e trata Star Wars de forma saudosa ao lidar com questões de legado, superação e reconstrução.

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