Nesta coluna do Observatório do Cinema, intitulada Artista da Semana, elegeremos o ator ou atriz de TV que mais nos impressionou durante os episódios da semana. Em época de fall season, é fácil se perder entre grandes séries e grandes atuações, mas sempre tem aqueles que merecem um destaque.

É fácil se acostumar com a qualidade e consistência do trabalho de Sir Anthony Hopkins. O lendário ator, vencedor do Oscar (por O Silêncio dos Inocentes) e do Emmy (pela minissérie The Bunker), é um dos grandes de qualquer geração, e sua participação em Westworld nos lembrou do porquê.

Na pele do Dr. Robert Ford, criador do parque temático cheio de androides que serve como cenário para a série, Hopkins serviu com humildade como apoio para performances incríveis (Evan Rachel Wood e Jeffrey Wright, principalmente), tanto que sua própria maestria ficou em segundo plano até o episódio final do ano “The Bicameral Mind” (1×10), exibido no último domingo (04).


A partir do momento que o grande plano de Ford e sua duplicidade insuspeita foram revelados, a profundidade do trabalho de Hopkins, sua sutileza escondida por trás dos trejeitos usuais do estilo de atuação, ficaram claras. É uma pena que provavelmente não o veremos na segunda temporada, que chega em 2018, mas que jornada incrível que o ator desenhou ao lado de Jonathan Nolan, Lisa Joy e companhia.

O lado manipulador e maquiavélico de Ford ficou claro durante a temporada, e especialmente no episódio 7, intitulado “Trompe L’Oeil”. O nome do capítulo, inclusive, é a chave do que significar da atuação de Hopkins: um trompe l’oeil é uma pintura que cria a ilusão de três dimensões através de técnicas matemáticas e artísticas.

No papel de Ford, Hopkins nos expôs um lado cruel da personalidade de seu personagem sem nunca abandonar a constituição mais profunda que sabia ter escondida por trás dele. Nada é tão simples quanto parece em Westworld, uma das narrativas mais sofisticadas que vimos na TV nos últimos anos, mas Hopkins nos conduziu para um senso de segurança: instintivamente, sabíamos que o Dr. Ford (e o Homem de Preto, aliás) era o vilão da história.

A grande engenhosidade do final da temporada é nos mostrar que, essencialmente, não sabemos de nada. A natureza humana é imprevisível, as coisas com as quais nos importamos nem sempre são racionais, e nossos atos nem sempre revelam as nossas intenções. Como Ford, Hopkins encarnou isso de forma elegante e excepcional – exatamente como estamos acostumados a vê-lo fazer.