Tiremos o roteiro que é o principal em qualquer filme, a segunda coisa que mais vende é o rosto, a imagem é o principal cartão de visita em qualquer audiovisual, se o ator ou atriz é um querido do grande público, quase sempre, esse filme será um grande sucesso, pois num mundo visual que é o cinema, o que manda é a presença, a cara, e uma das principais caras do filme Frank é de um boneco, ele não tem feições, é inanimado, mas a sua emoção nos paralisa.

John Burroughs é um compositor e tecladista e tudo ao seu redor o inspira a fazer música, daí surge a oportunidade de tocar no grupo de nome impronunciável The Soronprfbs em que, literalmente, o cabeça é Frank, um homem que usa uma cabeça de um boneco e que os outros componentes do grupo nunca viram o seu rosto. O grupo se isola em um local distante para fazer a melhor música que puderem produzir.

Compor e produzir música não devem ser fácil, quando ouvimos músicas legais, bonitas e bem harmonizadas, nem imaginamos o quanto aquele poeta pode ter sofrido (ou não) para colocar as palavras certas, a melhor melodia para se tornar a melhor música. E em Frank, nada é fácil, o grupo mergulha em suas pirações, melodias diferentes e letras estranhas. Para o The Soronprfbs tudo já estava bom (ou não), eles eram felizes como eram, mas John queria mais, queria ser visto, queria fazer sucesso, tanto é que sempre estava conectado com as mídias sociais.


E Frank e sua cabeça de boneco, como gerenciar aquele turbilhão de emoções, emoções essas misturadas com as emoções dos outros componentes do grupo, como a personagem de Maggie Gyllenhaal que é bem louquinha. Como criar algo? Mas o filme fala exatamente disso, de processo criativo em conjunto, de que não é nada fácil. E quando John que entrou no grupo, meio por acaso, percebe que ‘o fazer’ não é tão fácil nem tão harmônico, fica difícil de suportar as dificuldades, causando um racha no grupo e nas emoções.

Michael Fassbender que já fez todo tipo de papel, aqui é Frank, que fica quase todo o filme com uma máscara de boneco na cabeça, mas isso não tira o mérito de sua interpretação, mesmo sem mostrar o rosto, sua entrega é total, seu trabalho corporal é perfeito e é fácil perceber todas as suas dores apenas olhando para o boneco, e Frank entra para o rol de suas grandes interpretações.

Frank é um filme que não julga e nem impõe nada, ele é estranho, é excêntrico, é diferente, quase uma comédia, quase um drama, quase um musical e por tudo isso ele se faz um filme muito legal, ele te desafia a perceber a beleza aonde não se vê, em ir além. E no final, que é belíssimo, nem tudo precisa ser fantástico, nem tudo precisa ser compreendido, o que precisa é ser de alma, ser de coração, assim a vida fica bem mais fácil, e Frank é isso, de alma e de coração e não se esquecendo que de perto ninguém é normal.

Minha Nota: 9/10

Por Vavá Pereira
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