Crítica | Enquanto Somos Jovens

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Precisa envelhecer para ficar maduro? E depois dos 40 qual a cartilha de vida que devo usar? Não tenho filhos, e daí? Tudo isso, e um pouco mais, é discutido no delicioso Enquanto Somos Jovens, onde os atores Ben Stiller e Naomi Watts fazem o casal Josh e Cornelia, de seus quarenta e poucos anos.

Ele documentarista e ela uma produtora de cinema, vivem uma vida pacata, tendo como melhores amigos um casal da mesma idade que eles e com um filho recém-nascido, e de repente ficam amigos do jovem casal Jamie e Darby, vividos pelos atores Adam Driver e Amanda Seyfried. Jamie está tentando ser um documentarista e Darby faz sorvetes em casa. Logo que se conhecem, a empatia é mútua; Jamie é um fã incondicional de Josh e se aproveita disso para sugar o máximo de seu potencial, enquanto Cornelia começa, de certa forma, a seguir os passos e a jovialidade de Darby. À partir disso, Josh e Cornelia percebem que ainda tem muita vida pela frente, e começam a aproveitar da vitalidade dos novos amigos, e que não precisam seguir a cartilha em ser um casal de meia-idade, vivendo tudo aquilo que ainda pode ser vivido, dando um gás até em suas vidas de casal.

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Ben Stiller não largou a comédia de vez, mas está rumando em novos ares e deixou de só fazer as comédias descerebradas com piadas de gosto duvidoso, entrando em filmes com pegadas suaves de comédia, mas com um foco maior no drama existencialista, e que agora seus personagens tem mais densidade, tem um porquê de estar ali, e até a sua interpretação está melhorando a cada papel, se entregando de uma forma mais sutil a cada personagem. Já falar bem de Naomi Watts é chover no molhado, mas a mulher parece vinho, só melhora com o tempo, sempre fazendo personagens que não se parecem entre si, com veracidade, ela consegue chegar ao público como se fosse uma vizinha ou melhor amiga, com doçura, garra e determinação.

Enquanto ainda somos jovens vamos percebendo que a idade chega pra todo mundo, e o filme faz uma ótima comparação em o que é ser jovem hoje, com suas limitações, sagacidade, desenvoltura e achar que nada é errado, enquanto os mais velhos se preocupam mais com o amanhã, pensando em filhos, e sempre querendo acertar e assim o novo com o velho vão tentando se acertar para que não haja tantas diferenças para a convivência em harmonia. Uma sequência que desagrada no filme é a cerimônia do Santo Daime, pois ficou exagerada no jeito em que foi conduzida, deturpando o verdadeiro sentido da seita, e o que é uma pena, pois depois disso existe um pequeno “abrir de olhos”, mas que ainda assim não compromete o bom andar da história.

Enquanto Somos Jovens é do diretor Noah Baumbach, de Frances Ha e A Lula e a Baleia, e que parece ter estudado na escola de cinema Woody Allen, e isso é muito bom, pois os seus filmes, como os de Woody, sempre tem personagens bem trabalhados, com suas indecisões, e sempre é um drama, mas não um dramalhão, com bom roteiro, piadas bem sacadas, ótimos diálogos, personagens ora nervosos, ora suaves, boa crítica ao cotidiano politicamente correto; enfim, seus filmes sempre estão acima da média do que estamos acostumados a ver, e se continuar seguindo a escola Woody Allen de cinema, que faz um filme por ano, o cinema mundial só tem a agradecer.

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