Crítica 2 | Pequeno Dicionário Amoroso 2

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O amor e seus altos e baixos. Sobre este tema e toda uma miríade de situações que ocorrem quando se está começando um relacionamento amoroso, Pequeno Dicionário Amoroso, de 1996, já tinha mostrado. Mas o que aconteceu com aqueles personagens do primeiro filme, 15 anos depois? Está é a premissa do longa Pequeno Dicionário Amoroso 2.

Luiza (Andrea Beltrão), uma artista plástica e dona de uma galeria de arte, está casada há 15 anos com Alex (Marcelo Airoldi), engenheiro bem sucedido e galinha. Ela é mãe de dois filhos, uma menina de 15 anos, que está no exterior, e Pedro (Miguel Arraes), 13 anos. Gabriel (Daniel Dantas), biólogo especializado em estudar sapos e cobras, atualmente está em um relacionamento enrolado com Jack (Fernanda de Freitas) e é pai de Alice (Fernanda Vasconcelos), uma jovem de vinte e poucos anos, filha dele com a ex-mulher, Bel (Glória Pires).

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Com a morte de padrasto de Luiza, Gabriel a reencontra no cemitério. Começam a sair e, assim, começam novamente a ter um caso. Por esta razão, cada um deles, refletem sobre as relações que tem atualmente. Mas a história deste segundo filme não gira em torno apenas de Luiza e Gabriel. Agora, a história também mostra como são os relacionamentos amorosos dos filhos daqueles personagens, Pedro e Alice.

Alice é uma jovem que não quer se rotular e fica com garotas e garotos e acaba começando um triângulo amoro formado por Jum (Priscila Steimman) e João (Renato Góes). Já Pedro está entrando na adolescência e tenta começar um relacionamento como muitos jovens atualmente: através dos bate-papos da internet. E como acontece na realidade, às vezes, se passando por outra pessoa.

As interpretações de Andrea Beltrão e Daniel Dantas estão condizentes com os papéis. Ela faz aquela mulher que mesmo com toda a insegurança que um relacionamento dá, toma a sua decisão e enfrenta as consequências de sua escolha. Já ele faz o homem que sofre quando tem que fazer uma escolha.
Ambos conseguiram retomar os personagens de 18 anos atrás, lacuna existente entre um projeto e outro, e mostrar o que mudou – ou não – na personalidade de cada um deles ao longo dos 15 anos em que os personagens estiveram afastados um do outro.

Provavelmente, por causa do roteiro escrito por Paulo Halm e Rita Toledo, este trabalho de recuperação de um personagem que já foi interpretado anteriormente não tenha sido difícil para estes atores. Em coletiva de impressa, Andrea e Daniel, questionados sobre como foi retomar os personagens depois de tanto tempo, confirmaram isto. Daniel destacou ainda que, para ele, Gabriel “não mudou muito de 15 anos para cá. Ao contrário do personagem da Andrea”. Ainda falando no roteiro, ele tem boas sacadas, como a comparação entre os diferentes relacionamentos existentes atualmente no Brasil e no mundo.

Porém, as interpretações de Fernanda Vasconcelos, Priscila Steimman e Renato Góes também não ficam atrás da dos experientes atores. Fernanda Vasconcelos, com mais tempo de trabalho, está maravilhosa no papel de uma jovem que tenta descobrir o amor, porém não quer que o gênero da outra pessoa limite suas escolhas. Na mesma sintonia da Fernanda está Priscila. Ela faz a parceira e primeiro rolo do personagem de Fernanda. Já Renato Góes, que interpreta João e completa o trio amoro, faz bem o papel do jovem gente boa e que entra nesta relação das duas. A surpresa está no ator Miguel Arraes. Atualmente com 15 anos, o garoto sabe o que faz, sem parecer artificial em seu papel. Pode ser que por quase ter a mesma idade do personagem, ele saiba muito bem pelo quê Pedro está passando, mas mesmo tendo esta experiência prévia, Miguel poderia passar um tom artificial em sua interpretação.

A responsável pela retomada deste projeto e pela sua direção foi Sandra Werneck. Mas para ajuda-la desta vez, ela chamou Mauro Farias. Na mesma entrevista coletiva, Sandra explicou que quis “que desta vez, após algumas reclamações sobre o primeiro filme, que houvesse uma visão feminina e uma visão masculina tanto no roteiro, quanto na direção do filme”.

Os verbetes deste pequeno dicionário amoroso, como Alucinação, Caça, Encantamento e Intimidade, são emoldurados pela fotografia de Luís Abramo. Ele soube trabalhar muito bem os cenários e a luz da cidade do Rio de Janeiro nesta produção. Seja em um interior de uma residência ou balada, seja em uma mesa de restaurante a céu aberto, a cena fica plasticamente muito bonita. Destaque para uma cena específica na casa de Gabriel.

A montagem do filme, que ficou a cargo de Pedro Bronz, também ficou excelente. Dentro do ritmo que a história necessitava para ser contada. Sem querer elencar aspectos técnicos da produção, mas já elencando, a trilha sonora, com músicas como “Futuros Amantes”, de Chico Buarque, é outra coisa que precisa ser destacada neste longa.

Sandra Werneck acertou em cheio ao querer retomar estes personagens e acertou novamente ao fazer o filme. Ela apostou nesta produção e quem sai ganhando são os espectadores que forem assisti-la.

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