Crítica | Narcos – Primeira temporada

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Com uma produção caprichada, elenco afiado e tom didático, Narcos promove uma ótima abordagem dos cartéis colombianos e a rota da cocaína nos anos 80. Pablo Escobar, aqui interpretado de maneira eficiente por Wagner Moura, é construído como um bandido impiedoso e cruel com seus traidores, cenas recheadas de violência ilustram sua facilidade em mandar matar qualquer desafeto. Era monstruoso seu desapego por seres humanos, nutrindo apenas afeição por seus familiares e seu fiel primo Gustavo (Juan Pablo Raba).

Com experiência em dissecar tramas que envolvem bandidos e policiais, José Padilha dá o head start ao dirigir com pulso os capitulos introdutórios de sua ópera colombiana. Posteriormente, passa a câmera para outros três diretores: o mexicano Guillermo Navarro, Andrés Baiz (diretor da versão latina de Breaking Bad) e o brasileiro Fernando Coimbra (O Lobo atrás da Porta).

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Narrado em off, ao melhor estilo Tropa de Elite, somos aos poucos introduzidos na origem da produção da cocaína em terras chilenas, sua migração para as terras colombias após a caça as bruxas contra traficantes promovida por Pinochet e sua consolidação em Medellín. Tudo bastante mastigado.

Na Colômbia, uma série de traficantes passam a difundir os negócios sob a “coordenação” de el patrón, Escobar. Dessa forma, desfilam na tela uma série de bandidos “mui hermanos” e icônicos que servem como plataforma para atores se esbaldarem nas vilanias, daí entram em ação os irmãos Ochoa, Gacha, Suarez, Pacho…Todos muito bem interpretados pelo ótimo elenco escalado.

Do lado dos mocinhos, temos os agentes do DEA Javier Peña (Pedro Pascal) e o antipático Murphy (Boyd Holbrook). Holbrook não constrói um personagem que gera muita afeição pelo público não, suas intervenções na história inclusive funcionam mais pela sua narração em off do que quando está em cena. Já Pedro Pascal faz um trabalho bem mais convincente como o sombrio Javi.

Wagner Moura tem sido criticado por seu espanhol, porém faz um trabalho justo. Obviamente perde-se a fluência e a malemolência do sotaque espanhol colombiano, porém ganha-se com a presença de um ator competente e expressivo como Moura. O cara manda bem até em outra língua, o que deve ser um desafio e tanto administrar um personagem do status de Escobar falando uma língua que não é a sua nativa. Pontos para ele, que foge de uma composição caricata ou cheia de maneirismos.

Com 10 episódos, a primeira temporada tem a dose certa de ação, perseguições nas comunas, fatos históricos e boas tramas paralelas envolvendo o cartel colombiano. Entrar em detalhes sobre o enredo é trazer spoilers para os leitores, o que não é minha intenção. No entanto, esteja preparado para cenas fortes e gráficas de tiros na cabeça, execuções em massa e tudo que um seriado deste tema pode trazer. A estrutura da série é bastante cinamatográfica e merece destaque pela ótima reconstituição de Bogotá dos anos 80 com figurinos, músicas e cenários rigorosamente escolhidos para dar veracidade a Narcos. Trabalho primoroso de produção.

A abertura da série também foi sabiamente confiada ao brasileiro Rodrigo Amarante (Los Hermanos) que executa o ótimo bolero “Tuyo” de sua própria composição.

Tudo funciona bem em Narcos e o final da temporada dá um gancho para uma segunda fase que promete ser tensa e dramática, afinal todos sabemos que o fim de Escobar não foi nada tranquilo. O Netflix acerta mais uma vez em novos territórios. Adelante!

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