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Crítica | Um Senhor Estagiário

Publicado por Redação

23/09/2015 10:24

Quando se é aposentado, seja porque se quis, seja por circunstâncias do mercado do trabalho, mas se ainda tem saúde e disposição, o que fazer? Achar o que ocupar o tempo disponível acaba se tornando um problema do qual não se imaginava. O ator Robert De Niro, com 72 anos recém-completados, é um ótimo exemplo de como continuar na ativa. E não só ele, mas também o personagem que interpreta no filme Um Senhor Estagiário.

A história e a direção do longa foram feitas pela norte-americana, Nancy Meyers. Ela também foi roteirista de filmes como O Amor Não Tira Férias e Alguém Tem Que Ceder. Ben Whittaker, o personagem de De Niro, é um homem de 70 e poucos anos, viúvo e aposentado. Após parar de trabalhar, viajou pelo mundo, mas quando voltava para casa, sentia-se sozinho. Mesmo as visitas que fazia ao filho e a família dele não o satisfaziam.

Um dia, caminhando, encontrou uma propaganda de uma das inúmeras empresas de e-commerce – lojas que vendem exclusivamente pela Internet – existentes em Nova York. A empresa convocava pessoas com mais de 50 anos para participarem de seu programa de estágio. Contratado, começou a trabalhar com a criadora e dona da empresa, Jules (Anne Hathaway, de Os Miseráveis). Jules sempre está a mil por hora, fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Acaba que não consegue se focar no que está fazendo e se atrapalha com horários e compromissos. Ao aceitar ter Bem como estagiário para servir de exemplo aos outros funcionários, Jules percebe que, ao poucos, esta relação a transforma. Ajudando-a tanto na vida profissional, quanto na vida pessoal.

A história escrita por Nancy é simples, mas tem ótimas sacadas sobre as diferenças de estilo de vida e de trabalho entre os jovens atuais e as pessoas mais velhas. Uma forte mensagem deixada pelo filme é: se você se mexer, o mundo irá se mexer junto. Exemplos disto são a maneira como a personagem da Anne Hathaway criou a empresa dela e a de Ben ao se dispor voltar à trabalhar.

Falando em Anne Hathaway, ela está maravilhosa na telona. Transmite a determinação, a garra e a força de vontade que a personagem tem. Além da doçura e da delicadeza presentes também. Robert De Niro está afiadíssimo em sua interpretação. Ele não está perdendo nada com o passar dos anos. De Niro soube fazer criar este personagem no que era necessário. No gestual, na maneira de falar, na força contida que ele exala. Os atores coadjuvantes também estão par a par com os seus colegas de trabalho. Por exemplo, o ator Anders Holm, de A Entrevista, que faz o marido de Jules, Matt. Uma surpresa adorável deste longa é a atriz-mirim Jojo Kushner, que faz a filha de Matt e Jule, Paige. A menininha está simplesmente adorável. E este é o seu primeiro trabalho na vida.

Outros atores que estão bem em cena são Rene Russo, de O Abutre, que faz a massagista da empresa. Andrew Rannells, de Quatro Amigas e Uma Casamento, que faz Cameron, o gerente da e-commerce. E, por último, os estagiários Davis e Jason. Interpretados, respectivamente, por Zack Pearlman, da série de televisão, Zoados e Adam DeVine, da franquia Escolha Perfeita.

A fotografia de Stephen Goldblatt acentua mais o clima do filme. E o faz de maneira perfeitamente combinada com o clima da história. Goldblatt foi diretor de fotografia de Histórias Cruzadas. A montagem do longa também foi bem realizada por Robert Leighton, de Truque de Mestre. Tudo isto sob uma singela, porém forte trilha sonora composta Theodore Shapiro. O mesmo de filmes como Piratas Pirados! E Marley & Eu. Nancy soube conduzir esta simples, porém bela história, transformando-a em uma grande história.

Uma dica: leve um lenço. Nunca se sabe quando se pode precisar usá-lo.

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