Crítica | Aliança do Crime

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Os Estados Unidos têm uma relação de amor e ódio com os seus grandes gângsteres. Aí está à história de Al Capone que não nos deixa mentir. Inúmeros livros e filmes foram feitos sobre a época em que ele dominava a cidade de Chicago. Por causa desta fascinação dos norte-americanos, vire e mexe, sempre aparece uma história sobre um gângster. O longa Aliança do Crime é sobre um destes.

Sul da cidade de Boston. Meio da década de 1970. Esta parte da cidade estava sob controle do irlandês-americano James ‘Whitey’ Bulger (Johnny Depp, da franquia Piratas do Caribe), enquanto a zona norte da cidade estava dominada pelos ítalos-americanos sob a chefia de Gennaro Angiulo. Este estava ganhando a guerra quando James recebe uma ajuda de um lugar que ele nunca imaginaria.

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Um agente do FBI (polícia federal americana), John Cannolly (Joel Edgerton, de Exodus: Deuses e Reis), que também tinha crescido na zona sul de Boston, volta para trabalhar na cidade, capital do estado de Massachusetts. John resolve se encontrar o senador estadual e irmão de James, Billy Bulger (Benedict Cumberbatch, de O Jogo da Imitação) e pedir para conversar com o gângster.

A brilhante adaptação de Mark Mallouk (primeiro trabalho como roteirista) e Jez Butterworth (No Limite do Amanhã) do livro “Whitey: The Life of America’s Most Notorious Mob Boss” dos escritores Dick Lehr e Gerard O’Neill mostra uma promíscua relação entre um agente da lei que deveria zelar pelo combate ao crime e um criminoso menor que por causa desta ligação amplia o seu poder fazendo, para isto, qualquer coisa que fosse necessária. Qualquer coisa mesmo.

A direção deste filme coube a Scott Cooper. Ele é um ator de filmes de baixo orçamento e esta se aventurando atrás das câmeras há apenas seis anos. Ele começou com Coração Louco, que ganhou dois Orcars: melhor ator para Jeff Bridges e melhor trilha sonora original. Apesar da pouca experiência como diretor, Scott consegue levar o filme de uma forma suave e precisa. Consegue construir esta história perfeitamente de uma maneira que os espectadores vão saboreando-a lentamente e entrando no mundo do personagem de Depp aos poucos.

É muito bacana ver Johnny Depp em um papel diferente do que ele está acostumado a fazer. Johnny está bem no papel de um inescrupuloso mafioso que não sabe o que é remorso. Mas, mesmo assim, ele consegue dar humanidade ao personagem quando este exige, por exemplo, nos momentos de perdas pessoais.

O ator australiano Joel Edgerton faz no tom certo o papel do agente dúbio do FBI. Ele convence como um descendente de irlandês que quando criança foi protegido pelo personagem de Johnny e agora, anos depois, demonstra fascínio e lealmente, mesmo estando do lado oposto da lei. Joel capricha, inclusive, no sotaque de Boston.

Rory Cochrane (de Argo), que faz Steve Flemmi, o braço direito de James na organização, merece destaque por este papel. Ainda mais pelo seu personagem ficar ao lado do chefe mesmo em situações nas quais Steve é o prejudicado. Merecem ser lembrados, também, os atores Corey Stoll (Homem-Formiga), Kevin Bacon (X-Men: Primeira Classe), David Harbour (da série The Newsroom), Julianne Nicholson (da série Masters Of Sex) e Dakota Johnson (50 Tons de Cinza).

Estas interpretações estão bem emolduradas pela fotografia de Masanobu Takayanagi. Ele tem em seu currículo trabalhos como O Lado Bom da Vida e Comer, Rezar e Amar. Ele consegue reforçar com a sua fotografia climas e situações nas quais os personagens estão envolvidos. Ele faz isto, por exemplo, ao revezar planos mais abertos e closes para dar ao espectador a sensação de estar próximo aos bandidos.

O clima de tensão e de apreensão são, também, causados pela trilha sonora realizada por Tom Holkenborg. Mais conhecido como Junkie XL, ele é o responsável pela trilha de filmes como Divergente e 300: A Ascensão do Império. Tom conseguiu deixar um clima sombrio e denso.

A montagem de David Rosenblom, também, consegue fazer com a história vá de uma forma fluida. Ele fez a de filmes, como Entre Segredos e Mentiras e O Ritual. David consegue dar tempo aos espectadores para respirar quando necessário e sabe acelerar quando a história assim pede.

Quem também é fascinado por histórias de gângsteres deve ir aos cinemas ver este filme. Ainda mais, sabendo que é baseado em fatos reais.

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