Crítica | Música, Amigos e Festa

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Em Hollywood, mesmo quando se é um astro, é duro ficar marcado por um único tipo de papel, porque é ainda mais duro livrar-se dele, ainda que esse mesmo astro seja um artista competente. É o que pode se ver nitidamente em Música, Amigos e Festa.

Cole Carter (Zac Efron, de Vizinhos) é um DJ que mora junto com seu amigo Mason (Jonny Weston, de A Série Divergente: Insurgente) e, juntamente com seus outros amigos, Squirrel (Alex Shaffer, de A Salva-Vidas) e Ollie (Shiloh Fernandez, de A Morte do Demônio), trabalha animando festas enquanto os outros são “promoters” (organizadores de eventos), embora Ollie faça um “bico” vendendo drogas como maconha e ecstasy. O sonho de Cole é tornar-se um grande produtor musical, mas como a situação não está fácil, ele e seus companheiros decidem trabalhar no mercado imobiliário, na corretora de um amigo comum.

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Em uma festa, Cole conhece Sophie (a top model britânica naturalizada estadunidense Emily Ratajkowski, de Garota Exemplar), a namorada do famoso DJ James Reed (Wes Bentley, de Motoqueiro Fantasma). James torna-se mentor de Cole e ensina ao jovem as técnicas e segredos da profissão. Cole e Sophie apaixonam-se, James descobre e rompe o vínculo com seu pupilo, acontece uma tragédia e a vida de Cole entra em um impasse.

Filme de estreia do documentarista Max Joseph, que também é o autor do roteiro juntamente com a desconhecida Meaghan Oppenheimer baseado, por sua vez em uma história do igualmente desconhecido Richard Silverman. O tema é bastante conhecido: jovens da classe trabalhadora que tentam fazer carreira através da música e/ou dança. Esse tema já foi usado com bastante sucesso em filmes como Os Embalos de Sábado à Noite (1977) e Flashdance (1982). Estes filmes passavam-se em Nova York, em seus bairros populares, e o jovens moradores desses bairros tentam subir na vida para sair desses lugares que julgam opressores e mudaram-se para um lugar melhor – o preferido era o sofisticado bairro de Manhattan.

Aqui, a ação corre em Los Angeles, em San Fernando Valley, um bairro de classe média baixa, e os protagonistas, assim como os novaiorquinos, sonham em sair de lá e ir para outro lugar como o chiquérrimo bairro de Beverly Hills. Devido à sua experiência anterior, Joseph tenta dar um ar documental ao filme ao mostrar o preconceito de classes, o dia-a-dia dos jovens pobres no trabalho, nas festas e no consumo de maconha nas horas vagas – algo que, na atual sociedade conservadora estadunidense, gradativamente vai sendo cada vez mais tolerado – e até certa crítica social. Entretanto, acaba ficando no convencional e o roteiro capenga não ajuda muito.

Mesmo a fotografia, a cargo de um novato, Brett Pawlack, não sai também do convencional. A trilha sonora é composta de hits de Eletronic Dance Music (Música de Dança Eletrônica, mais conhecida pela sigla EDM), executados por artistas do gênero tais como Years & Years, Gryffin, Aluna George, Hook N Sting e The Americanos. É mais voltada para apreciadores desse tipo de música.

Zac Efron foi a grande revelação da franquia High School Musical, que o levou ao estrelato. Ele ainda realizou bons filmes como 17 Outra Vez, o remake de Hairspray e Vizinhos (que, brevemente, ganhará uma sequência – veja aqui), sempre no mesmo tipo de papel: o de galã juvenil. E aqui ele, novamente, segue essa linha, embora seu personagem tenha 23 anos de idade. O problema é que Efron já está com 28 anos e, apesar de ainda ser jovem, não é mais um garoto e dá para notar isso no filme. É uma pena, pois Zac não é mau ator. E sua atuação aqui não compromete.

O restante do elenco são nomes ainda pouco conhecidos, embora alguns já tenham feito trabalhos com algum destaque. Um exemplo é Wes Bentley. Vindo de filmes como Interestelar, ele convence como o DJ astro convencido, alcoólatra e que começa a entrar em decadência. Emily Ratjkowski – que aparece no recente Entourage: Fama e Amizade (veja aqui) – faz o que se espera dela: ser bonita e sexy. Nada além disso.

O personagem de Shiloh Fernandez, curiosamente, lembra um pouco ele mesmo nos seus tempos de colégio: fuma muita maconha (Fernandez jura que, há muitos anos, largou o vício). Por isso, ele também convence como drogado. Jonny Weston e Alex Shaffer também fazem o que se espera dos personagens: o primeiro, brigão e doido por festas; e o segundo como um nerd sensível, embora Shaffer tenha demonstrado algum talento.

Só para variar, o título nacional é horroroso. O título original em inglês, We Are Your Friends, significa, literalmente, Nós Somos Seus Amigos. Espertos foram os portugueses, que traduziram o título para Nós Somos Teus Amigos. Quem merece virar piada aqui?

Este é um filme que foi feito exclusivamente para o estrelato de Zac Efron, a ponto de elenco e equipe técnica não serem do primeiro time para não eclipsar o astro maior. Mas o resultado final não passa de mediano. Ao fazer sua estreia nos EUA, em 28 de agosto último, foi um fracasso daqueles (veja aqui). Mal recuperou o dinheiro investido na produção.  Se Zac Efron não deixar logo essa coisa de ser objeto de desejo das adolescentes, sua carreira corre o risco de ir para o ralo.

Música, Amigos e Festa é aquele tipo de filme para se assistir na Sessão da Tarde em um dia nublado e chuvoso, quando não se tem absolutamente nada para fazer. É para ver e esquecer.

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