Lembra-se dos 33 mineiros do Chile que, após um grande colapso na mina de ouro e cobre na qual eles trabalhavam, ficaram presos 69 dias até serem salvos em 2010? O mundo acompanhou todo o desenrolar da história e muitos, mas muitos pensaram: ela vai virar filme. Pois, então, virou. Os 33 conta sobre este emocionante episódio da história recente.

O grupo de mineiros escolheu um autor norte-americano ganhador do prêmio Pulitzer, Héctor Tobar, para narrar tudo o que aconteceu com eles e por causa deles no Chile na época. Desta forma, nenhum deles ganharia sozinho com a história que todos eles vivenciaram. O livro “Deep Down Dark”, escrito por Héctor, foi do qual se basearam os roteiristas.

A adaptação para a linguagem cinematográfica de Jose Rivera (Na Estrada e Cartas Para Julieta) e o roteiro propriamente dito escrito por Mikko Alanne (5 Dias de Guerra), Craig Borten (Clube de Compras de Dallas) e Michael Thomas (O Dublê do Diabo) concentraram todo o evento em alguns dos mineiros, no Ministro de Minas à época e do engenheiro contratado para coordenar as perfurações de salvamento.


Em cinco de agosto de 2010, o supervisor Mario Sepúlveda (Antonio Bandeiras, de A Pele Que Habito) e o agente de segurança, Luiz Urzua “Don Lucho” (Lou Diamond Philips, de Vítimas de Um Assassino) escolhem 31 mineiros para trabalhar naquele dia. Entre eles, estavam: Julio (Oscar Nuñez, da versão norte-americana da série The Office), o único boliviano, Carlos Mamani (Tenoch Huerta, de Escobar: Paraiso Perdido), Álex Veja (Mario Casas), Dario Segovia (Juan Pablo Raba) e Edison “Elvis” Peña (Jacob Varga, da série Sons of Anarchy).

Don Lucho percebe que espelhos colocados em uma grande rachadura estão se quebrando. Ao exigir que o trabalho seja interrompido para que se avalie melhor esta situação, Lucho ouve que a equipe a qual ele supervisiona deve continuar a trabalhar e a tirar uma quantidade maior de ouro. Pouco tempo depois, a tragédia acontece.

O Ministro de Minas, Laurence Golborne (Rodrigo Santoro, de 300: A Ascensão do Império) convence o presidente do Chile na época, Sebastián Piñera (Bob Gunton, da série Demolidor), que o governo do país deve intervir na mina de San José, em Copiapó, e fazer tudo o que estiver ao alcance para salvar os mineiros soterrados. Assim, para que as primeiras buscas acontecessem, chamam o engenheiro Andre Sougarret (Gabriel Byrne, da série Vikings).

Os familiares acabam acampando em frente à mina e as vidas particulares dos mineiros vão sendo desveladas aos poucos em frente aos repórteres que também fincam os pés no local. São exemplos de intimidades reveladas, por exemplo, a difícil relação entre os irmãos Dario Sagovia e María (Juliette Binoche, de Godzilla) e as duas mulheres de Julio.

É uma história com muitos personagens. Os três roteiristas conseguiram colocá-los de uma forma que o espectador consegue entender as diferentes relações que eles têm uns com os outros e como elas vão sendo moldadas pelos acontecimentos. Contribuiu para que a história não se tornasse um monstro disforme e sem sentido a direção de Patricia Riggen (Garota em Progresso). Apesar desta produção ser apenas a sua sexta direção, Patricia conseguiu domar perfeitamente este gigante de diversas cabeças e caudas e mantê-las todas juntas, nas mesmas direções e em um único corpo.

As intepretações de todos os atores, desde os mais experientes como Antonio Bandeiras e Juliette Binoche e dos mais novos como Mario Casas e Tenoch Huerta, estão muito bem. Você sente todo o desespero dos mineiros presos, dos familiares sem notícias sobre eles, do ministro e do engenheiro e como os diversos fatos vão mudando o comportamento destas pessoas. Porém, as atuaçãos dos três atores mais experientes – Antonio Bandeiras, Juliette Binoche e Lou Diamond Philips – se destacam dos demais, elevando a qualidade de todo o grupo de atores.

Aproveitou-se o maravilho cenário do deserto de Atacama. A fotografia do peruano Checco Varese, que já tinha trabalhado com Patricia Riggen em Garota em Progresso e Sob A Mesma Lua, revela toda solidão e opressão dos mineiros e a angústia daqueles que os esperavam são e salvos do lado de fora da mina.

Apesar da grande quantidade de personagem e de muitos momentos importantes, a montagem de Michael Tronick, de Noite de Ano Novo, conseguiu construir um filme de uma forma serena e sem correria nas transições das diversas cenas. Desta forma, dando tempo para os espectadores conseguirem entender os muitos desenlaces deste episódio.

Todo este bom trabalho artístico e técnico é embalado por uma ótima trilha sonora. Realizada por James Horner, do O Espetacular Homem-Aranha, não descambou para o sensacionalismo. Em um filme, no qual a história já tem uma carga dramática suficiente para emocionar os espectadores, a trilha sonora poderia ficar over.

Outro aspecto técnico que precisa ser levando em conta é a maquiagem que realizou um ótimo trabalho nas diversas etapas da tragédia dos mineiros: primeiro, aqueles que se machucaram em seguida do desabamento e depois a sujeira e o suor nos quais todos estavam por se encontrarem presos em um local muito quente. É um maravilhoso trabalho que mostra como em um momento de desespero, atos e ações são determinantes para que se consiga permanecer vivo e que se consiga salvar.

Os 33