Uma jovem afegã, ao ver o exército de seu país recuando por causa do exército inglês, resolve pegar a bandeira do país e liderá-lo. Porém, nesta batalha, quase ao final da vitória afegã, a jovem acaba levando um tiro e morre. O nome dela? Malala. Assim começa o documentário sobre a jovem paquistanesa, Malala Yousafzai, que levou um tiro na cabeça dado por um integrante do Talibã, em 2012.

Malala, que é uma variante do nome da jovem afegã que liderou as tropas daquele país durante a Batalha de Maiwand, em 1880, conta a história desta jovem, de seu pai, de sua mãe, do vilarejo paquistanês no qual morava e, claro, do atentado sofrido por ela. A história dela tem inspirando muitos ao redor do mundo, em especial as jovens a perseguirem seus sonhos, principalmente através do estudo.

Este documentário sobre a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2014 é uma coprodução entre Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos. Ele é dirigido por Davis Guggenheim, ganhador do Oscar pelo também documentário Uma Verdade Inconveniente. Davis conseguiu construir este longa-metragem de uma maneira bastante inteligente.


O filme conta a história de toda a família Yousafzai e os principais acontecimentos vividos por todos no Paquistão e no Reino Unido, onde moram atualmente. Muitos aspectos do cotidiano deles são mostrados, como, por exemplo, a relação entre os irmãos Khushal e Atal com a irmã, Malala, e a vida da mãe no Reino Unido.
Utilizando-se de desenhos animados, reconstituições, fotos e vídeos de arquivos pessoais e públicos e depoimentos, a origem da família, de cada um dos integrantes dela, a vida no Vale do Swat, a chegada do Talibã à região, o atentado sofrido por Malala, a recuperação dela e o trabalho dela ao redor do mundo agora em prol das mulheres são mostrados daquelas diversas formas deixando o documentário sem um ar pedante e professoral.

Davis conseguiu encadear todos esses aspectos e outros mais de uma forma que ao final se entende o porquê de Malala ser como ela é: uma garota destemida e que não se intimida facilmente. O filme, em si, é muito bem feito. A direção de fotografia de Erich Roland (A Todo Volume) conseguiu captar em diversos momentos o que Malala transmitia apenas por expressões faciais. O uso de desenhos animados foi muito bem feito. Ele dá um ar mais lúdico às diversas histórias contadas nos depoimentos dos personagens.

A escolha das imagens – fotografias e vídeos – também foram bem realizadas. Elas ilustram de forma precisa várias situações descritas nas histórias dos integrantes da família de Malala. A edição de Greg Finton (A Todo Volume), Brad Fuller e Brian Johnson (Marcha da Vida) foi precisa ao juntar e fazer com que todas as maneiras utilizadas para contar a história da jovem do Vale do Swat funcionassem. A trilha sonora de Thomas Newman (007 – Operação Skyfall) em diversos momentos consegue dar o clima necessário para o que está sendo contado no documentário.

Para se entender o que se passa com as pessoas sob o domínio de um grupo extremista e como o atentado sofrido por Malala, ao contrário do que esperava o Talibã, acabou fazendo surgir uma linda e doce luz que tem guiado a muitos no mundo.

Malala