Eu, Você e a Garota que Vai Morrer é uma daquelas dramédias tocadas com leveza ao abordar um tema “soco no estômago”: a jornada de uma adolescente com leucemia em estágio IV. Amparado em grande parte pelo carisma do jovem protagonista Thomas Mann e suas tiradas ácidas/cômicas, o filme peca ao ser conduzido por um roteiro em piloto automático onde nada muito relevante acontece.

Muitas vezes arrastada, a trama apenas emociona durante as interações dos personagens erráticos que pontuam a história, seja através do desbocado e prático Earl (RJ Cyler) ou a mãe de Rachel, aqui interpretada pela comediante Molly Shannon em uma atuação sensível para minha surpresa.

Olivia Cooke interpreta Rachel, a garota com leucemia, e faz de maneira contida, mais pautada em expressões com seus olhos do que na construção de sua personalidade.


A história tem seu pontapé quando a mãe de Greg insiste para seu filho visitar sua colega de classe, Rachel. Como a menina foi diagnosticada com leucemia, a mãe enxerga uma boa oportunidade de seu filho neurótico se aproximar da garota e fazer uma boa ação. Greg, que nunca havia se aproximado da colega em sala de aula, acaba indo forçado nos encontros com a garota. No entanto, aos poucos vai se sensibilizando com Rachel e criando laços mesmo em um momento tão dramático de quimioterapias e idas ao hospital.

Paralelamente, Greg e seu amigo Earl tem o hobby de refilmar filmes cults com uma câmera amadora e atuar nas produções toscas que homenageam obras como “O Sétimo Selo”, de Bergman, ou “Midnight Cowboy”. Tal conceito já foi abordado no divertido filme de Michel Gondry, “Be Kind Rewind”.

Se a pinta de Eu, Você e a Garota que Vai Morrer bebe nas usuais características dos filmes indies, com sua trilha sonora melancólica e movimentos de câmeras ousados, a obra pouco se sustenta com sua sinopse. Em tempos de Netflix, nada melhor do que esperar o filme pintar no serviço de streaming para assistir quando estiver de bobeira.