Crítica | Jessica Jones – Primeira temporada

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Na última sexta-feira (20), a Netflix lançou Jessica Jones, sua nova série em parceria com o universo cinematográfico da Marvel e que se junta a Demolidor, lançada no início do ano, como a segunda série da franquia dos Defensores, que ainda será completada com Luke Cage e Punho de Ferro, ambas sem data definida para lançamento.

A série segue Jessica Jones (Krysten Ritter, de Breaking Bad e Don’t Trust the B—- in Apartment 23), uma investigadora particular que, devido a um acidente em sua infância, adquiriu força sobre-humana e, já adulta, enfrenta Kilgrave/Homem-Púrpura (David Tennant, de Doctor Who, Harry Potter e o Cálice de Fogo), um homem capaz de controlar as ações das pessoas ao seu redor.

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Com o uso de recursos de filmes noir, como a narração feita pela protagonista com uma trilha de fundo, a iluminação dramática com alto contraste entre o claro e o escuro e a visão de mundo essencialmente pessimista que acontece durante grande parte da história (principalmente pelo ponto de vista de Jessica), a série consegue criar uma ambientação única e muito revigorante para o gênero dos super heróis, focando mais nas relações entre os personagens do que no fato de alguns deles terem superpoderes.

Jessica Jones começa mostrando a vida que Jessica leva que, pela descrição da própria personagem na primeira cena do episódio de estreia, é uma vida bem agitada. E é na conclusão dessa primeira cena que os fãs do gibi “Alias” reconhecerão, imediatamente, a adaptação do gibi para a tela com uma extrema fidelidade, pois em ambos os meios é a primeira vez que vemos Jessica e o seu local de trabalho, o escritório da ‘Alias Investigations’, local, que na série, Jessica recebe um caso que a leva ao vilão Kilgrave.

E daí sai provavelmente o maior destaque da série, em comparação com o resto das adaptações da Marvel para o cinema e televisão. Kilgrave é um vilão completamente diferente do que estamos acostumados a ver da Marvel. Ele possui um carisma que falta em grande parte das adaptações, e no decorrer da série, conforme ele vai sendo desenvolvido, em alguns momentos o espectador chega até a simpatizar com ele.

Outro ponto de destaque entre Kilgrave e as adaptações audiovisuais dos demais vilões da Casa das Ideias é o seu objetivo final: estamos acostumados com planos para dominação mundial, extinção dos humanos, entre outros objetivos completamente exagerados, já o único objetivo de Kilgrave é o amor de Jessica por ele, e como uma criança mimada que não consegue o que quer ele, utiliza desde ameaças sem nenhum alvo definido à ataques de raiva aleatórios. Mas tudo isso sem quebrar a linha de desenvolvimento tanto dele próprio quanto do rumo que a história está seguindo.

A falta de uma ligação concreta e direta com a série do Demolidor, antes do último episódio, poderia deixar os fãs um pouco tristes, mas se torna uma compensação não só com Luke Cage (que, diferente do que poderia se imaginar, tem grande papel não só nas histórias secundárias da série, mas no desenvolvimento da história principal entre Jessica e Kilgrave), mas também com diversos easter eggs para o universo Marvel: citações aos Vingadores, aparições de personagens conhecidos dos quadrinhos de Jessica Jones até os do Wolverine, o bordão de Luke Cage dos gibis ‘Sweet Christmas’, entre outras que são até mais interessantes, mas é melhor guardar a surpresa.

E, para finalizar, gostaria de dizer uma coisa: muitas pessoas provavelmente ficaram discutindo qual série foi melhor – Demolidor ou Jessica Jones – quando na verdade esse não é o ponto. Ambas foram excelentes séries que aumentaram o nível para futuras séries do gênero em diferentes aspectos. Houveram diversas partes de Jessica Jones que foram melhores, mas também tiveram várias de Demolidor que superaram as expectativas.

No fim das contas, isso vai do gosto pessoal de cada um e, ao invés de ficar comparando as séries e discutindo qual é melhor, por que não simplesmente apreciar ambas, que são verdadeiras obras primas, e agradecer a essa parceria entre a Marvel e Netflix por estar finalmente nos trazendo uma visão mais realista, humana e interessante em vários aspectos, do que estávamos acostumados?

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