Crítica | Para o Outro Lado

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O cinema japonês ainda é pouco conhecido no Brasil. Com a honrosa exceção do diretor Akira Kurosawa e de alguns de seus filmes, pouquíssimas produções deste país asiático são conhecidas em terras brasileiras. Mas não é por não serem conhecidas por aqui que elas são piores do que as de outros países. Muito pelo contrário. Um ótimo exemplo é Para o Outro Lado.

Este filme é dirigido por Kiyoshi Kurosawa – que não tem parentesco nenhum com Akira Kurosawa, morto em 1998. Nele, a professora de piano Mizuki (Eri Fukatsu) está viúva há três anos. O marido dela, Yusuke (Tadanobu Asano), morreu no mar e seu corpo nunca foi encontrado. Porém, em uma noite, ele retorna para casa para reencontrá-la. E, como se ainda estivesse vivo, convida-a para, juntos, visitarem os locais belíssimos pelos quais ele passou ao longo desse intervalo de tempo.

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Assim, os dois, de trem e de ônibus, fazem uma viagem por diferentes locais e regiões do Japão. Yusuke vai apresentado à esposa, também, pessoas que conheceu como ele e outras pessoas que são como ela. Estas pessoas com quais ele teve contato depois de ter morrido são, geralmente, pessoas cuja vida – que levam, ou que levaram – fizeram com elas tivessem uma dívida com conhecidos do passado delas.

O roteiro deste drama japonês de pouco mais de duas horas de duração foi baseado em um livro da escritora Kazumi Yumoto. Kiyoshi o escreveu em conjunto com Takashi Ujita e o texto contempla aspectos que são presentes em filmes anteriores do diretor: situações sobrenaturais as quais realçam ou revelam aspectos da vida dos personagens.

Na história escrita pelos dois, surpresas como o retorno do marido para a casa que acontece no inicio do longa ocorrem no desenrolar da trama, envolvendo pessoas vivas e mortas – que tratam com naturalidade esta situação. As diferentes situações que ocorrem ao longo de Para o Outro Lado intrigarão os espectadores que tentarem adivinhar de qual lado está cada personagem que for surgindo. Por causa desta sequência de personagens, a história do filme parece que se desenvolver na forma de contos. Todos eles ligados pelos personagens de Eri e Asano.

Os atores Eri Fukatsu e Tadanobu Asano são dois atores cuja química fica bem clara aos que assistem ao filme. Levando-se em conta aspectos culturais próprios do Japão, os dois expõem com as suas interpretações esta estranha relação entre a esposa viva e o marido morto, mas este tão presente como se vivo estivesse. Isso fica muito claro no reencontro deles, nas conversas entre os dois ou nas explicações dadas à Mizuki por Yusuke sobre aquele mundo.

Kiyoshi utiliza a iluminação das cenas de forma diferente. Ele usa os refletores, mudando a intensidade deles, para alterar o clima da cena conjuntamente com a história para reforçar o que surgirá em seguida. Falando em iluminação e, óbvio, da fotografia de Para o Outro Lado, realizado pela diretora Akiko Ashizawa, as imagens foram feitas, como muitas coisas na cultural japonesa, de uma maneira simples, mas muito competente.

A trilha sonora, que ficou sob a responsabilidade de Yoshihide Ótomo e Kaoko Etô, ao contrário, tem um tom grandiloquente. Esta intensidade dada ao tema principal do filme não condiz com o tom intimista dele. Muitos momentos da história se passam dentro de residências ou comércios. Como o que mais ocorre são conversas entre os diferentes personagens nessas locações, compor músicas quase tocadas por orquestras completas e em um tom intenso demais, acaba destoando demais do restante do filme.

Outro aspecto que chama atenção também é o de efeito visual. Não por causa dos que são utilizados, mas pelo pouco uso deles. Para mostrar a passagem dos mortos para o outro lado, o que acabou se utilizando Kiyoshi foi a edição e mudança de posicionamento de câmera. A edição de Para o Outro Lado foi realizada por Tsuyoshi Imai.

Tirando aquele problema na trilha sonora, Para o Outro Lado pode ser um ótimo e intrigante filme japonês para aqueles que querem ampliar os tipos de filmes que assiste.

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