Realmente o Brasil é o país da piada pronta, como afirma o colunista da Folha de S. Paulo, José Simão. Portanto, na terra da piada pronta, as comédias não poderiam fazer mais sucesso. Nem todas, obviamente. Mas quando a produção é bem feita e conta uma história verdadeiramente divertida, os brasileiros lotam os cinemas sem medo de serem felizes. É o que acontece com a franquia brasileira – a primeira a chegar ao terceiro filme – Até Que a Sorte Nos Separe 3 – A Falência Final.

Nesta terceira parte, Tino (Leandro Hassum) e Jane (Camila Morgado) estão falidos. Até aí nenhuma novidade. Trabalhando como vendedor de rua, Tino é atropelado por Tom (Bruno Gissoni), filho do homem mais rico do país, Rique Barelli (Leonardo Franco). Durante o tempo em que Tino fica internado, Tom começou a namorar Teté (Julia Dalávia), filha daqueles dois.

Após a recuperação de Tino, o casal de protagonistas vai conhecer a família de Tom, formada, além de Rique, por Malu do Carmo (Emanuelle Araújo). Tino acaba conseguindo um emprego na consultoria financeira do pai do jovem que esta ficando com a sua filha. Por causa deste emprego é que a principal confusão do longa acontece.


Há outras subtramas que são desenvolvidas ao longo do filme. O roteiro dele é escrito por Paulo Cursino. Paulo também é roteirista de outras comédias brasileiras como De Pernas Pro Ar e O Candidato Honesto, este, também, com o Hassum. Ele também participou da feitura do roteiro dos outros dois longas da franquia, porém, sempre acompanhado de outra pessoa. No primeiro foi com Angélica Lopes e no segundo com Chico Soares.

A premissa de que desta vez Tino não iria apenas falir a si próprio, mas também à outra família se mostrou uma ótima ideia. Outra ótima sacada do roteirista foi a maneira como ele explicou o emagrecimento do personagem do Leandro, que passou por uma cirurgia bariátrica neste ano de 2015. Mas a história acabou ficando muito concentrada na principal linha de condução e acabou deixando de lado as subtramas, como a história de amor de Tom e Teté. Elas são mostradas, porém, são mal expostas e mal exploradas. Elas são muito rapidamente mostradas, desenvolvidas e resolvidas, dando um ar um palco falso.

Leandro Hassum e Camila Morgado parecem realmente um casal que está casado há um bom tempo. Eles criaram uma química no filme anterior que conseguiram manter neste. Ele faz comédia de várias maneiras, como a física. Ele tira ótimas sacadas se baseando no texto de Cursino, porém, ao longo do filme, as reações dele ao que vão surgindo acabam se repetindo um pouco.

Camila Morgado faz Jane de forma tranquila. Ela continua a fazer o personagem que segura um pouco às loucuras do personagem do Hassum. Leonardo Franco é uma ótima surpresa. Faz o Rique de uma forma entre o engraçado e o patético na medida certa. Assim, como Emanuelle Araújo que faz otimamente bem a mulher do personagem do Franco, porém, ela poderia tê-la interpretada um pouco mais exagerada. Ela ficou contida.
Julia Dalávia também está bem no personagem da filha que não quer mais ser enganada por ninguém. Ela se encaixou bem no papel da menina honesta.

A direção de Até Que A Sorte Nos Separe 3 é de Roberto Santucci e Marcelo Antunez. Roberto dirigiu todos os longas. Marcelo entrou somente neste terceiro projeto. O primeiro já dirigiu, além dos filmes desta franquia, Bellini e a Esfinge e Odeio o Dia dos Namorados. O segundo já tinha ajudado na direção do De Pernas Pro Ar e O Candidato Honesto.

O trabalho dos dois neste longa demonstra que eles aperfeiçoaram a filmagem de comédias. Eles fazem um trabalho limpo e sem sobressaltos. Por exemplo, não demonstram nenhum problema em gravar as tiradas e os movimentos do Leandro. É, realmente, deve ser bem complicado filmá-lo.

Até Que A Sorte Nos Separe 3, tecnicamente, está bem feito. Todos os aspectos não surpreendem, mas, também, não tem falhas. A fotografia, a trilha sonora, o som e a edição estão bem feitas. Demonstrando que nós estamos acertando em áreas essenciais de um filme.

Até Que A Sorte Nos Separe 3