Crítica 2 | A 5ª Onda

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Em 2008 surgiu a franquia Crepúsculo, depois veio os Jogos Vorazes, em seguida começou Divergente e após esta surgiu Maze Runner. E, agora, começa A 5ª Onda. Com a pretensão de iniciar uma quinta franquia de filmes baseada em livros para adolescentes, esta produção pode acabar se transformando em uma marolinha ou até mesmo acabar morrendo na praia.

A 5ª Onda é um longa baseado no livro homônimo do autor norte-americano Rick Yancey, lançado tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil em 2013. Com uma história que lembra um pouco a de Maze Runner, o filme também se passa nos dias atuais. Um dia, se aproxima da Terra uma superestrutura alienígena. Por alguns dias, ela fica apenas estacionada sobre o planeta, obviamente, bem em cima dos Estados Unidos. Mas eles não ficam quietos por muito tempo.

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De repente, toda a eletricidade do mundo é interrompida por um pulso eletromagnético: a 1ª onda. Após isso, ocorre um forte terremoto por todo planeta que provoca um gigantesco tsunami; cidades costeiras e ilhas são dizimadas: a 2ª onda. Através dos pássaros, o vírus modificado da gripe aviária é espalhado pelo mundo e muitos morrem devido à doença: a 3ª onda. Os aliens, porém, não estão esperando o momento certo para desembarcar da espaçonave, eles já estão entre nós há muito tempo: a 4ª onda.

Quem conta tudo o que ocorreu até este momento é a jovem Cassie Sullivan (Chloe Grace Moretz, de Se Eu Ficar). Antes de tudo aquilo acontecer, ela era uma jovem normal do Ensino Médio. Cassie era uma das líderes de torcida e tinha uma paixonite por um colega do colégio e integrante do time de futebol americano, Ben Parish (Nick Robinson, de Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros). Agora, a jovem está indo buscar o seu irmãozinho, Sam (Zackary Arthur, da série Transparent), que acaba se separando dela ao ser levado para uma base militar norte-americana pelo General Vosch (Liev Schreiber, da série Ray Donovan), que recolhe crianças e jovens das proximidades. Durante o trajeto até a base, Cassie acaba conhecendo Evan Walker (Alex Roe), que a ajuda quando acontece um incidente com ela quando atravessava uma estrada.

Na base, os militares, sob a liderança do General Vosch, estão treinando crianças e jovens para enfrentarem os alienígenas. Estes ficam conhecidos como Os Outros. O general acredita que eles estão atacando as poucas áreas metropolitanas restantes e esta seria a 5ª onda. Os jovens, então, são divididos em esquadrões que irão até aquelas áreas. Entre os jovens que lideram e formam uns desses esquadrões, respectivamente, estão Bem e Sam.

Obviamente, este filme, como a maioria dos que integram franquias, é o primeiro de uma possível trilogia. Possível, porque o terceiro livro ainda não foi lançado, sendo prometido para este ano. E isso, também, dependerá da bilheteria deste longa nos cinemas. A adaptação da história das páginas para as telas ficou a cargo de três roteiristas norte-americanos até conhecidos por causa das produções que ajudaram a criar. São eles: Suzannah Grant, de Erin Brockivich: Uma Mulher de Talento (2000), Jeff Pinkner, que trabalhou em O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro e nas séries Lost e Fringe e Akiva Goldsman, roteirista de Eu Sou Lenda e A Série Divergente: Insurgente. Vendo esta lista de autores, entende-se, porque a história a qual se começa contar agora parece ser formada por diferentes partes de outras produções deste mesmo subgênero. Não que o script feito por Suzannah, Pinker e Goldsman esteja ruim.

A ideia do resgate do irmão menor pela irmã mais velha, por exemplo, é um diferencial em relação aos demais. Mas este manuscrito tem muitas similaridades com os de outras franquias. Por exemplo, o surgimento de um evento na vida do jovem que transforma radicalmente a sua vida e o faz refletir sobre como a tem levado e como a levará a partir daquele momento e mudanças de comportamento por causa de sentimentos que surgem entre os que antes eram quase inimigos são exemplos de recursos utilizados neste subgênero. Será que coisas assim conquistarão milhões de adolescentes mais uma vez?

A direção de A 5º Onda ficou com o novato J. Blakeson. Este é apenas o seu quarto filme, sendo este o segundo longa. Blakeson costuma ser, geralmente, roteirista e três dos setes que escreveu, também, foram dirigidos por ele. Apesar da pouca experiência, ele, aparentemente, não causou grandes prejuízos e fez, até então, um bom trabalho. O longa, como um todo, é bem feito. Entretanto, quem espera um filme alucinadamente frenético, ficará decepcionado. Porque existe um equilíbrio entre ação, romance e reflexão, este existente para justificar motivações de alguns personagens.

A fotografia do filme, também, esta boa. Esta parte ficou sob a responsabilidade do equatoriano Enrique Chediak. “Coincidentemente”, ele também é responsável pela cinematografia de Maze Runner: Correr ou Morrer. A combinação do trabalho dele com os efeitos especiais criou cenas plasticamente bonitas e que fazem todo o sentido na história. Por exemplo, várias que rementem a visão dos possíveis invasores e uma de luta em particular está muito bem filmada porque a cena é durante a noite, em uma floresta fechada e, também, no interior de um carro. Situações nas quais a filmagem tem que ser bem pensada.

Paul Rubell, de Transformers: A Era da Extinção, faz um bom trabalho de edição. Rubell dá gás à história quando é necessário, como na cena de luta na floresta a noite e nas passadas em uma das áreas metropolitanas atacadas, também, à noite. Mas sabe quando ser mais lento e deixar o expectador perceber o que era necessário ser visto em um determinado momento. Assim, como o compositor da trilha sonora, o britânico Henry Jackman, que sabe criar expectativa com a sua música nos momentos certos. A edição e mixagem de som também merece destaque neste filme.

Os atores não fazem feio. Não há nenhum que ali, entre Chloe Grace Moretz, Nick Robinson, Zackary Arthur, Liev Schreiber e Alex Roe que deixe a desejar no que é necessário nos seus personagens. Talvez, Alex Roe poderia ser um pouco mais expressivo, mas isto parece ser uma característica de personagens como o que ele interpreta. Liev Schreiber está confortável no papel do mandão, porque é um tipo de personagem que ele está acostumado a fazer. O destaque positivo fica para os mais jovens desta turma Chlöe e Zackary. Ela, apesar dos 18 anos, parece ser uma veterana atriz norte-americana de tanto filmes em que já atuou e Zackary é um criança que se tiver uma família que o ajude, ao invés de atrapalhá-lo, se quiser, poderá ter uma carreira no indústria do cinema.

Percebe-se como a Columbia Pictures/Sony se cercaram de profissionais com certa experiência nesse tipo de filme para poder fazer a melhor versão possível do livro de Yancey. Entretanto, pode ser que o frenesi das franquias de adolescentes tenha passado e esta, até não faça feio nas bilheterias em casa e pelo mundo, mas não se torne o sucesso esperada pelo estúdios que a produziram.

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