Crítica | Reza a Lenda

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Há uma clara iniciativa em popularizar o gênero de ação dentro do cinema nacional. Nos últimos anos muitos filmes desse tipo, recheado de atores globais, vêm sendo lançado e alcançando certo sucesso. Mas nada melhor que filmes competentes para o cinema de ação fazer parte de vez da filmografia brasileira, e Reza a Lenda é um bom exemplo disso.

Dirigido pelo estreante Homero Olivetto, o filme é cinematográfico ao extremo, apostando mais na construção do gênero de ação brasileira do que em uma busca por um realismo, resultando em um longa cheio de ótimos momentos, em que não há apenas emoção e violência, mas sequências muito bem construídas, como a própria sequência inicial, um assalto a uma imagem religiosa, em que o diretor rege muito bem os acontecimentos, contextualizando geograficamente a cena e, de fato prático, introduzindo aquele grupo de personagens e seu líder em uma cena intensa que prepara o público para esse ambicioso projeto.

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E assim como uma boa obra brasileira, Reza a Lenda entende seu poder ‘antropofágico’, e é exatamente nessa característica que reside sua principal força. O longa é um caldeirão de referências, de Mad Max ao faroeste, passando pelo explotation e pelo cinema extravagante de Guy Ritchie, mas mesmo com a necessidade de incorporar todo esse repertório a sua narrativa, Reza a Lenda consegue de maneira muito interessante aliar essa bagagem pop com a cultura popular brasileira, principalmente a nordestina. Homero Olivetto em nenhuma passagem se esquece onde sua obra está situada. O filme não é mais um enlatado americano pintado com cores brasileiras, mas um produto cultural de fato enraizado na nossa cultura.

Dessa maneira, Reza a Lenda é um filme que nasceu para ser pop; agora se será, é outra história. No entanto, merece os créditos por apostar em tanta coisa diferente no cinema nacional, como ter coragem para apresentar um personagem que é uma espécie maligna de António Conselheiro moderno, que no meio do sertão, não só tem água em abundância como ouro, armas e um iPod com caixas de som bastante potentes. Algo que pode soar bizarro casa muito bem no filme de Olivetto, um longa que não tem medo de apostar no extravagante, no bizarro ou em circunstâncias que poderiam soar clichê, mas que criam uma obra rara no nosso cinema.

É bem verdade que Reza Lenda tem suas irregularidades, como a falta de complexidade em alguns personagens, principalmente nas duas personagens femininas; e também na necessidade em quase toda fala ter uma frase de efeito ou algo do gênero. No entanto, Reza a Lenda é um filme que compreende perfeitamente o poder do cinema e as concessões da realidade que ele provoca.

Homero Olivetto realiza uma obra bastante interessante, que tem força na luz falsa do luar (o céu sertanejo é bastante utilizado ao decorrer do longa), que não simplesmente ilumina, mas que revela um cinema inventivo e competente, que pode estar nascendo por aqui. Um filme de ação que não perde para gringo nenhum.

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