Crítica | Suíte Francesa

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Os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial afetaram a vida de dezenas de milhões de pessoas. Muitas perderam parentes queridos, como pais, filhos e cônjuges. Diversas histórias de dor e sofrimento são até hoje reveladas pelos descendentes dos que morreram em campos de batalha e/ou concentração. Mas, também, histórias de amor acabaram surgindo um dos momentos mais tristes da humanidade. Reais ou ficcionais. O filme Suíte Francesa conta uma dessas histórias criadas em meio à carnificina que se avolumava.

O longa é baseado no livro de mesmo nome escrito por Irène Némirosky, entre os anos de 1940 e 1941. A escritora, nascida na Ucrânia, era judia. Quando os nazistas ocuparam a França, onde ela vivia, a autora foi levada para o campo de concentração nazista de Auschwitz. Mas antes de ser levada, ela deixou com suas filhas o manuscrito do livro já finalizado.

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Em Bussy, no centro da França, Lucile Angellier (Michelle Williams, de Sete Dias com Marilyn) vive com a sua sogra, Madame Angellier (Kristin Scott Thomas, de Minha Querida Dama). O marido de Lucille, Gaston, foi convocado e está na frente de batalha, porém, elas não têm mais notícias sobre ele. Enquanto isso, a mãe dele ensina a sua nora a administrar as propriedades da família. Na realidade, Lucile gosta de música, porém não pode tocar o piano que está em seu quarto, a pedido de sua sogra, até que o seu marido retorne para casa. Porém, o exército nazista invadiu a França e já tomou Paris. Vários refugiados da capital se dirigem para lá e não só. Um destacamento do exército alemão também está indo para a vila. Os militares mais graduados deste destacamento ficarão nas melhores casas da região.

Na casa de Madame Angellier e Lucile, ficará o tenente Bruno von Falk (Matthias Schoenaerts, de A Entrega). A sogra de Lucile se recusa inclusive a conversar com o “hóspede”, porém Lucile, como faz com todos da pequena vila, o trata normalmente, apesar das recriminações da sogra. Ela percebe que o tenente, como ela, é apaixonado por música, pois ele o toca o piano todas as noite. Lucile e Bruno vão, aos poucos, se conhecendo. Assim, vai se mostrando as diferentes relações que se formam entre os moradores da vila e os soldados alemães. Um dos exemplos é a diferença das relações dos soldados com os moradores mais pobres e com os moradores mais ricos.

Suíte Francesa tem uma produção de época maravilhosa. O público com certeza se sentirá em uma cidade no interior da França durante a época da Segunda Guerra. O diretor de arte Michael Carlin está de parabéns, porque os detalhes fazem toda a diferença em um filme deste tipo, e ele conseguiu dar uma uniformidade ao longa. Michael já tinha trabalhado com o diretor do filme, o britânico Saul Dibb, em A Duquesa (2008).

O diretor britânico conseguiu dar ao longa o clima certo de angústia, tensão e paixão que a história exige. Nós, brasileiros, não conseguimos imaginar como deve ser ter nosso país invadido e, ainda por cima, nossas cidades ocupadas por tropas estrangeiras. E esta sensação é passada pelos personagens de Suíte Francesa quando as tropas alemãs chegam a vila e se estabelecem ali. Muitas cenas deixam esses sentimentos muito claros, como, por exemplo, quando a prefeitura é ocupada e a bandeira nazista é hasteada. Saul não é um diretor experiente. Suíte Francesa é seu segundo longa. A Duquesa foi o seu primeiro.

E a fotografia do diretor de fotografia, o espanhol Eduard Grau, consegue trazer a tona os diferentes conflitos existentes em uma pequena cidade ocupada entre sua população e os militares que ocupam a localização. Ele posiciona as câmeras de maneira que possa mostrar cada aspecto relevante desses vários conflitos. Um deles é entre a consciência e os sentimentos.

Em um filme cujo título é baseado em uma música, a trilha sonora não poderia faltar. O compositor inglês Rael Jones conseguiu criar uma verdadeira suíte – estilo de música clássica, que vai provocando nos espectadores uma miríade de emoções existente também na história. Assim, como a edição de imagem de Chris Dickens, de Os Miseráveis (2012), que consegue fazer com que as cenas tenham ritmo e profundida para prender o público.

Michelle Williams se encaixa perfeitamente nessa personagem ao mesmo tempo doce e destemida. O personagem não esconde seu medo dos inimigos que chegam, porém não se deixa paralisar por ele. Matthias Schoenaerts está em um papel que também se encaixou perfeitamente nele. Tendo que cumprir as ordens que recebe, porém sem questioná-las, pelos menos, para ele mesmo, Matthias deixa transparecer com sua interpretação esse dilema do personagem.

As histórias de relações humanas durante momentos de opressão sempre são emocionantes de se saber e assistir, porque são em situações assim que o verdadeiro caráter das pessoas acaba aflorando e expondo quem elas realmente são. Em momentos nos quais as vidas das pessoas estão em risco é que decisões têm sua importância redobrada, porque a escolha errada poderá custar a própria vida ou a de outras pessoas.

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