Crítica | A Garota Dinamarquesa

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A Garota Dinamarquesa é prato cheio para atores talentosos entregarem atuações acima da média ao contarem a estória conturbada de Lili Elbe, uma pioneira do trânsgenero no inicio do século passado. O roteiro, que toma liberdades artísticas consideráveis, explora com precisão a construção da personagem principal defendida por um talentoso Eddie Redmayne.

O filme desenvolve seu roteiro em uma Dinamarca cinzenta e nublada, onde acompanhamos as interações do casal de pintores Wegener. Einar e Gerda são unidos e demonstram ter uma relação de companheirismo fundamental para os rumos que a vida dos dois tomará ao longo da projeção. Ao pintar um quadro de uma bailarina, Gerda pede que seu marido sirva de modelo e calce sapatilhas, coloque meia calça e segure sobre seu corpo um vestido branco. Naquele momento acontece uma catarse na vida de Einar. Ao se projetar como aquela bailarina do quadro, se conecta instantaneamente com uma persona adormecida da sua personalidade/sexualidade, Lili Elbe.

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A partir dali, assistimos a desconstrução de Einar e a transformação em Lili. O trabalho estupendo de Eddie Redmayne é de uma complexidade ímpar. Aos poucos vamos acostumando com a persona de Lili e esta transição é feita de maneira tão tocante que conseguimos enxergar todos os traços e trejeitos femininos impressos naquele corpo que rejeita a forma em que nasceu.

Lili é uma personagem observadora, busca captar movimentos de mãos de suas conhecidas, as delicadezas dos trejeitos femininos de mulheres nas ruas. Em determinado momento, até paga para espiar em um Peep Show uma garota despida apenas para repetir seus movimentos na cabine. Nesta cena chave, Lili percebe que por mais que se esforce para se ornamentar e se portar como uma dama, seu corpo traz o sexo masculino que tanto rejeita e a incomoda.

Por tras do personagem principal, assistimos sua esposa, Gerda, ver seu casamento e seu desejo de ter filho ruir ao ter que abraçar a transição do marido. Um papel tão forte como o de Gerda foi sabiamente entregue para a competente Alicia Vikander. Se no inicio ela fica reticente com as inspirações femininas do marido, gradativamente deixa-se levar pela jornada que seu cônjuge passará.

Em termos de roteiro, A Garota Dinamarquesa deixa-se levar pelas interações e diálogos emotivos entre Einar e Gerda, muitas vezes tornando-se arrastado e monótono, porém os atores são tão competentes que acaba sendo um prazer acompanhar a estranha e afetuasa relação que nasce entre marido e mulher durante o processo Einar/Lili.

Muito provavelmente Eddie Redmayne não levará o Oscar de Melhor Ator, especialmente por ser o ano consecutivo ao que ganhou por sua esplêndida atuação como Stephen Halking em A Teoria de Tudo. No entanto, não deixa de ser incrível um ator relativamente novato no showbusiness entregar duas performances arrebatadoras em dois anos seguidos.

A Garota Dinamarquesa é uma das melhores produções da safra do Oscar 2016 e merece ser celebrado como um filme corajoso que aborda um tema com bastante sensibilidade sem nunca soar ridículo ou caricato.

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