Crítica | Visões do Passado

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Há filmes que logo de cara parecem já terem sido vistos, pode mudar os atores, um pouco da narrativa, alguns aspectos técnicos, mas o sentimento é de estar assistindo a um filme genérico, que daqui algumas semanas aparecerá um filme extremamente parecido e que provavelmente causará confusão na cabeça do espectador de qual é qual. E infelizmente esse é o caso de Visões do Passado.

Protagonizado pelo vencedor do Oscar Adrien Brody, que cada vez mais está envolvido em projetos de gosto para lá de duvidoso, o filme é um suspense psicológico que flerta com o terror, acompanhando um terapeuta que após perder sua filha ele se vê perseguidos por fantasma, que ao mesmo tempo em que demonstram uma intima relação com a traumática perda do protagonista revelam um grande enigma de seu passado.

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Partindo do pressuposto da dúvida de que aquelas visões são frutos da sua mente traumatizada, ou conexões reais entre o mundo real e o sobrenatural que assombram de fato o protagonista. Uma premissa, que apesar de não ser inovadora, abre margem para diversas possibilidades narrativas e consegue de maneira fácil captar o espectador. No entanto, Visões do Passado se demonstra um filme bastante confuso que se perde nas suas próprias armadilhas narrativas, perdendo por completo a atenção de seu público.

Se no primeiro ato o diretor e roteirista, Michael Petroni, consegue chamar a atenção pelo clima de mistério, alternando seu drama familiar, suas alucinações e o suspense real num só lugar, o consultório do psicólogo, fazendo dessa primeira parte do filme o seu melhor momento, um thriller psicológico tenso e que se demonstrava interessante exatamente por parecer investigar os caminhos mentais de um doutor dessa área. Porém, é em seu primeiro ponto de virada que Visões do Passado se perde completamente, antes dos 30 minutos de projeção há a revelação que os pacientes do protagonista estão todos mortos, o filme investe num terror convencional e passa o segundo ato inteiro tentando pregar sustos em seu espectador, muitas vezes em passagens desnecessárias para a trama.

Na sua habitual tentativa de surpreender, o longa tenta seguir por caminhos inesperados, levando a outros mistérios, mas acaba se demonstrando apenas mais confuso, abrindo novas pontas que nunca são fechadas, evidenciando ainda mais sua falta de coesão narrativa. Dessa forma, o filme deságua num terceiro ato e num clímax totalmente inverossímil, no qual os grandes enigmas são praticamente resolvidos gratuitamente, sem uma grande virada do protagonista, apenas uma séria de acontecimento que de forma casuais e arbitrárias solucionam tudo o que havia sido (mal) construído ao longo dos 90 minutos de projeção.

E se Visões do Passado demonstra-se incrivelmente falho em seu roteiro, a direção de Petroni também não surpreende, realizando apenas um trabalho burocrático e bem previsível que não foge às convenções do gênero, resultando num longa bem esquecível e bem genérico. E esta é a palavra que melhor define Visões do Passado, quantas vezes já foi visto esse suspense psicológico em que a fotografia e a direção de arte apostam em cores desaturadas, em que a direção constrói cenas inteiras onde a chuva magicamente aparece para intensificar a dramaticidade cênica, sem falar da trilha musical e os mesmos arranjos de sempre, algo que se encontra em qualquer filme na madrugada pela TV.

Visões do Passado é mais um filme igual a tantos outros, que tentam de alguma maneira surpreender e amedrontar o espectador, mas caem na mesma falha, evidenciando o quão genéricos são. Visões do Passado é um forte candidato a ser esquecido em pouquíssimo tempo.

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