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Crítica 2 | Mogli – O Menino Lobo

Publicado por Redação

14/04/2016 18:02

O Livro da Selva, de 1894, do escritor indiano, de origem inglesa, Rudyard Kipling, é uma reunião de contos baseados na vida selvagem do país asiático. O primeiro deles é o mais conhecido de todos: o que conta a história de Mogli. A história deste conto virou animação lançada em 1967 pelas mãos de Walt Disney – foi o último longa supervisionado por ele. O animador morreu em 1966. Agora, o estúdio Disney está lançando a versão em live action.

Apesar de esse ser um longa em que os personagens deveriam ser interpretados por atores e atrizes de carne e osso, há apenas um na tela grande. O jovem estreante Neel Sethi é o único ser humano em cena. Infelizmente, o menino Neel não consegue segurar totalmente o seu personagem pela produção toda. Ele pode ter falhado exatamente pela quantidade de trabalho que ele precisou exercer.

Todos os outros personagens são animais gerados por computador. Mogli, para quem não conhece a história, é um jovem que acaba perdido em uma floresta na Índia quando era muito pequeno. Ele é encontrado por uma pantera negra Bagheera, cuja voz no original é feito pelo ator britânico Ben Kingsley (A Travessia, 2015) e no Brasil pelo ator Dan Stulbach.

Bagheera o leva para ser criado por uma matilha de lobos. A matilha é liderada pelo lobo Akela. No original, a voz é do dinamarquês Giancarlo Esposito (Maze Runner: Prova de Fogo, 2015). Na matilha, quem cuida de Mogli é a loba Raksha, dublada pela mexicana de origem queniana Lupita Nyong’o (Star Wars: O Despertar da Força, 2015), enquanto no Brasil, Raksha foi feita por Julia Lemmertz. Em um determinado momento, Mogli é ameaçado pelo tigre-de-bengala Shere Khan. O tigre possui a voz do ator inglês Idris Elba (Beats of No Nation, 2015), que por aqui tem a de Thiago Lacerda.

Bagheera, então, resolve levar o menino para a vila dos homens mais próxima, mas por causa de percalços durante o caminho, ele acaba tendo que se separar de Mogli. Sozinho em sua trajetória, o menino acaba cruzando com diversos animais, entre eles, a gigantesca cobra Kaa, cuja voz no original é de Scarlet Johansson (Vingadores: Era de Ultron, 2015) e no nosso país ficou com Alinne Moraes. Outro animal que ele encontra é o urso Baloo. Mogli e Baloo, que foi dublado por Bill Murray (Sob o Mesmo Céu, 2015), no original, e no Brasil por Marcos Palmeira, acabam se tornando amigos. Mogli encontra também, em outro momento, Rei Louie. Esse é um macaco gigante que teve sua voz feita por Christopher Walken (Jersey Boys: Em Busca da Música, 2014) e por Thiago Abravanel.

Esse mais novo live action da Disney é dirigido pelo mesmo diretor de Vingadores: Era de Ultron, Jon Favreau. Favreau conseguiu reunir nesta produção a maneira como a história de Kipling foi mostrada no longa de 1967 com a do livro do escritor. O diretor também não fez um live action que reproduz cena a cena a animação, porém esta versão foi bem realizada.

Todos os animais foram gerados por computador. Os pelos dos lobos e do urso Baloo, por exemplo, foram feitos de forma perfeita. A maior parte dos cenários também foi feita por computador e também é difícil de perceber a sua diferença com uma verdadeira floresta ou um rio. O supervisor dos efeitos visuais, Rob Legato (Avatar, 2009), está de parabéns, porque ele conseguiu fazer com que a sua equipe cuidasse dos inúmeros aspectos existentes nessa produção.

Mas apesar desse cuidado primoroso, alguns erros passaram. Os responsáveis pelo design de produção Christopher Glass (Meu Dias Incríveis, 2012) e Abhijeet Mazumder, que é estreante, não conseguiram fazer com que as luzes e sombras harmonizassem o ator Neel Sethi com os animais e cenários criados. Não o longa inteiro, apenas em algumas partes, esse problema aparece, porém acabam comprometendo um pouco.

Apesar desse problema com a iluminação, o diretor de fotografia, Bill Pope (Heróis de Ressaca, 2013), fez um bom trabalho. Existem muitas cenas icônicas que poderão ser guardadas nas memórias das crianças que forem assistir. O ritmo do filme – que é intenso, sem ser forçado – realizada por Mark Livolsi (O Juiz, 2014) faz com que a história seja contada em um ritmo agradável na qual os espectadores vão mergulhando poucos a pouco na história.

O ritmo da história também é determinado pelo roteiro. Esse foi o segundo de um longa escrito por Justin Marks (Street Fighter: A Lenda de Chun-Li, 2009). Marks não teve problema em aliar a história da animação com a história do conto.

O filme tem uma trilha sonora que não é histriônico e se encaixa certo no tom do filme. Ela foi criada por John Debney (Cavalos Domados, 2015). Além das músicas originais da animação, Debney criou músicas que conseguem fazer com que a plateia seja levada e tenha sua emoções remexidas.

Nem tudo em Mogli: O Menino Lobo saiu perfeito, mas o conjunto da obra é bem bacana. Um filme com o qual as crianças poderão se divertir e entender o que é ser quem você é e entender um pouco do respeito ao próximo e à natureza.

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