Crítica | Invasão a Londres

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O 11 de setembro mudou o contexto politico, social, econômico, cultural e, sobretudo, cinematográfico. A partir dos ataques às torres gêmeas, nos Estados Unidos, a criatividade do cinema mundial passou a se apoiar em produções a cerca desse acontecimento, que mexeu com a opinião pública internacional. Claro que uma das consequências do ataque terrorista à maior potência do mundo trouxe, para o âmbito social, um estereótipo muito presente e generalista: rotular os muçulmanos como terroristas.

O roteiro de Keatrin Benedikt e Creighton Rothenberger amparou-se, sem dúvidas, nesse contexto histórico – que a América viveu – para roteirizar a narrativa do longa Invasão a Londres, que foi dirigido pelo Babak Najafi (Banshee; 2014) e que, certamente, apoiou-se muito bem nesse estereótipo criado para combater os grupos “terroristas”.

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Invasão a Casa Branca (dirigido por Antoine Fuqua e o primeiro filme dessa franquia) também trouxe à tona um país (EUA) vitimizado por ataque terrorista. Mas lá, em 2014, foi por um grupo norte coreano. O mundo sabe que essas duas nações possuem relações diplomáticas fechadas. Portanto, foi um inimigo perfeito para ser retratado no longa de Antoine.

Sendo uma continuação da trama, a produção deu palco para outro espetáculo estadunidense: combater cidadãos do oriente médio. Sim, os cidadãos! Pois os ataques das tropas americanas são contra não só aos terroristas, mas também a civis inocentes. E o mais curioso da cultura militar americana, é que a intervenção é sempre diplomática, nunca considerada um ataque terrorista – até porque a terra do tio Sam é, sobretudo, uma nação politicamente correta, não é mesmo?

Com todo o aparato histórico mundial, e, principalmente, com os recursos “criativos” dos roteiristas, foi possível produzir um longa de qualidade. Sem dúvidas vale a pena rever Mike (Gerard Butler) bancando o homem indestrutível, patriota, lutando contra os seus inimigos comuns (tanto dele quanto do Estado) para salvar o líder mais importante do mundo: o então presidente dos Estados Unidos da América, Benjamin Asher, interpretado por Aaron Ackhart.

O filme ganhou um novo cenário, rodou em Londres, nação monarca, onde o primeiro ministro foi envenenado e, então, o país reuniu todos os lideres mundial para o funeral. É aí que a trama começa. Dois anos antes da morte do ministro, os americanos haviam atacado a família de Aamir Barkawi (Alon Aboutboul) no Oriente Médio. Ele é um dos terroristas mais procurados do mundo e resolve se vingar. A melhor oportunidade para a vingança foi quando ele orquestrou todo o funeral do ministro, em Londres, e conseguiu chamar a atenção dos homens mais importantes do mundo para a sua cilada.

Confesso que foi ótimo ver um roteiro mais descontraído. Apesar do teor da narrativa, foi um diálogo muito bem ornado e, principalmente, mais leve. Houve, portanto, um excepcional envolvimento com os atores. Além do mais, foram atuações muito seguras. Ou seja, percebi firmeza e autonomia na trama. Graças a essa boa roteirização, deu para maquiar os deslizes dos efeitos especiais, que não foram convincentes.

De um modo geral, o longa se saiu muito bem. Além de ser uma discussão muitíssimo atual (ataque terrorista), é também uma boa reflexão sobre como as produções norte-americanas se apropriam dos atentados de 11 de setembro para reforçar a ideia de que os muçulmanos são uma ameaça mundial (o que não é verdade).

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