Crítica | Milagres do Paraíso

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O crescimento do cinema gospel é um fato bastante significante. O gênero vem conquistando cada vez mais seu espaço e tentando ocupar maiores produções e grandes lançamentos. No Brasil, esses números vêm crescendo consideravelmente – Milagres do Paraíso será um bom teste para ver como uma obra com esse cunho se sai em termos de bilheteria -, mas nos EUA esse tipo de filme já é uma realidade e o longa é uma mostra de como o gospel ganhou seu espaço por lá.

Em Milagres do Paraíso esse amadurecimento é revelado na própria produção, contando com um elenco com nomes conhecidos como Jennifer Garner e Queen Latifah; além disso, nota-se um trabalho muito cuidadoso nos quesitos técnicos, como se Milagres do Paraíso se preocupasse em ter os status de um longa bem filmado, um fato que pode ser banal, e desse um recado de que o cinema gospel atingiu um outro nível – não se pode mais reclamar das atuações, da fotografia e da produção, como se avisasse que esse gênero pode estar de igual para igual com qualquer outro filme dos grandes estúdios. Assim, Milagres do Paraíso busca a cada plano, a cada cena e a cada sequência mostrar todo seu valor de produção, que ali há um cinema sério, bem produzido e bem investido. E nesse aspecto cumpre seu papel.

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E sim, Milagres do Paraíso demonstra algumas boas ideias. Embora nada original, a diretora Patricia Riggen emprega uma câmera como se houvesse uma presença divina em toda a cena, desde um plano do alto que olha pelos personagens, uma câmera q está acima da cabeça, praticamente em outro plano físico. Assim como os constantes flares que atinge a imagem, numa luz solar constante que reflete na cena, uma luz que está constantemente nas falas e nos dramas da família de protagonistas. No entanto, a inspiração acaba por aí e a realizadora cai na tentação de apostar no sensacionalismo, demonstrando-se mais apelativo do que dramático ou sensível.

Aliás, sutileza é algo que não existe em Milagres no Paraíso, desde de seus planos completamente explicativos em situações em que qualquer espectador já entendeu o que estava sendo dito. Em um momento a garotinha do filme diz não querer tirar o seu crucifixo, mas o filme insiste em dar uma explicação verborrágica para o ato, a personagem tem que expressar que é a cruz que te dá segurança; mas falta sensibilidade exatamente para trabalhar o delicado tema do longa.

O drama da família Beam, que vê uma de suas filhas com uma doença rara e incurável que provavelmente levaria a levaria a uma situação muito complicada. Com isso, o longa não tem pudor em mostrar os piores exames e tratamentos que a garota é submetida. Milagres do Paraíso não tem o cuidado em abordar a dor infantil, numa espécie de choque que deveria trazer o público para perto dos personagens, mas que o sofrimento mostrado dessa forma parece um golpe baixo para ganhar sua audiência.

Dessa maneira, Milagres do Paraíso é muito mais sobre o sofrimento, sobre a dor do que sobre a graça, sobre o milagre. A salvação tem seu final catártico mais pelo alívio de não ter que ver as mazelas da pequena garota. E entre a dor e a salvação, o filme constrói os momentos de tensão do filme de maneira bastante melodramática, há um exagero emocional, um acompanhamento constante da trilha dramática. Em seu drama Milagres do Paraíso beira o sensacionalismo.

Assim, Milagres do Paraíso ocupa um lugar curioso no atual momento do cinema. Um filme que nasce com a pretensão de ser algo a mais dentro do gênero em ascensão que ocupa, mas que mesmo evidenciando todo seu valor de produção, revela que o cinema gospel ainda tem muito o que crescer e trabalhar, um gênero que se demonstra grande, mas necessita entender alguns caminhos cinematográficos.

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