Crítica 2 | Independence Day: O Ressurgimento

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Independence Day foi uma revolução no cinema catástrofe dos anos 90. Foi o pai de inúmeros filmes que geram até hoje uma enorme catarse no público ao explodir pontos turísticos como o Empire State Building ou a Casa Branca. Roland Emmerich não só construiu sua carreira no gênero, como provou que é basicamente isso que tem a oferecer a legiões de espectadores pelo mundo. Não importa a ameaça, o público quer ver cartões postais se desintegrarem pelo ar, como um fetiche sádico hollywoodiano.

De lá para cá teve “Godzilla”, “O dia depois de amanhã”, “2012”… Uma série de bobagens que servem para inflar as box offices e usar e abusar de efeitos especiais que cada vez mais impressionam pelo realismo. O Independence Day de 96 tinha um protagonista com pulso, Will Smith. Além de catapultar sua carreira e fazê-lo um mestre das ficções científicas “kick ass”, ID4 construiu um personagem forte para Smith deitar e rolar com seu carisma. O elenco de apoio também não fazia feio.

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20 anos depois chegamos até este Independence Day: O Ressurgimento. Não só traz um roteiro mal costurado, cheio de personagens mal desenvolvidos, como também arranha o legado construído pela fita original. O conceito de trazer grande parte do elenco do filme anterior concede um ar de decadência a produção, já que todos ali ou estagnaram na carreira ou simplesmente desapareceram. Jeff Goldblum ainda segura as pontas com seu personagem sarcástico, porém Bill Pullman faz feio com seu trejeitos canastrões e uma dicção totalmente equivocada para o personagem que constantemente parece estar possuído por uma entidade.

O desfile de personagens é tão grande que pouco importa se eles morrerão ou sobreviverão ao fim do dia. O roteiro mal consegue desenvolver um fiapo de história para o público se apegar. Formando o núcleo novato do filme, temos o líder interpretado por liam Hemsworth (Jogos Vorazes), Jessie T. Usher (do filme Totalmente Inapropriado) e Maika Monroe (Corrente do Mal). Nenhum deles consegue imprimir força para a história e ainda deixam a trama pálida cada vez que aparecem em cena.

Sobra para os ETs e suas neves arrebatarem o público com cenas de destruição orquestradas apenas para criarem uma sucessão de catástrofes e explosões em grandes cetros urbanos. Dessa vez, os ETs dão um pulo em Londres para destruir o Big Ben e a Tower Bridge. Yes, Sir, aqui há espaço até para punição ao brexit. Mais comedidos na fita de 96, os realizadores da continuação decidem banalizar a imagem dos ets. Se antes desenvolviam temor e suspense no público em revelar as bizarras criaturas do espaço, aqui tem Et para todo lado. Uma medida desnecessária, já que o terror era mais latente na fita original e aqui lamentavelmente falha. As vezes a falta de recurso financeiro é uma benção para produções cinematográficas…

Por fim, o recurso do 3D nada acrescenta ao filme. Sem grandes cenas que podem ser maximizadas pela tecnologia, fica o gosto de enrolação para o público que paga mais caro para ver aqueles seres em terceira dimensão.

Certo fez Will Smith que pulou fora desta constrangedora continuação. Fica apenas o gosto amargo de que ET enterrado não merece ser ressuscitado. Que a próxima nave mãe destes malditos seres decida ir para outro planeta explodir monumentos e nos poupe de mais um dia da independência turbulento. Ufa…

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