Crítica | Paratodos

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Após os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, começarão, no feriado de 7 de setembro, os Jogos Paralímpicos. Disputados por pessoas com as mais diversas deficiências físicas e, também, com deficiência mental, os jogos tiveram inicio em 1960, em Roma. O Brasil tem se destacado nas últimas edições em diferentes modalidades, como Atletismo, Natação, Canoagem e em uma modalidade existente só nas Paralimpíadas, Futebol de 5.

E foi motivado por um desses atletas brasileiros que se destacou nos Jogos Paralímpicos de Londres, em 2012, que o diretor Marcelo Mesquita, do também documentário Cidade Cinza (2012), percebeu que ele e a maioria dos brasileiros não conhecem essas pessoas que não se deixam parar por causas dos seus problemas físicos ou mentais.

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Nos jogos de Londres, o paraense Alan Fonteles, na prova de 200m, classe T43, ganhou a medalha de ouro ao vencer o até então campeão no Atletismo, o sul-africano Oscar Pistorius. São com imagens desse fato que o documentário Paratodos se inicia. O longa é dividido em blocos e em cada, um esporte diferente: primeiro, o Atletismo; depois, a Canoagem; em terceiro, o Futebol de 5 e por último na Natação.

Mesquita e o produtor e roteirista do documentário, Peppe Siffredi, ao dividirem a produção por esporte deixaram-na mais inteligível. Eles conseguiram dar destaque a atuação de cada esportista em sua modalidade e dentro dela, na sua categoria. Categoria é a divisão na qual as pessoas são postas dependendo do grau de comprometimento de sua deficiência. Por exemplo, a do Alan é T43.

No Atletismo, além de Alan Fonteles, que desde muito pequeno não tem parte de ambas as pernas, nos é apresentada Terezinha Guilhermina, uma deficiente visual que corre com a ajuda de uma pessoa que enxerga que necessita ser tão rápida quanto ela para poder acompanha-la nas provas. Na Canoagem, o ex-BBB, Fernando Fernandes, que ficou paraplégico após um acidente de automóvel, introduz, além da sua própria história, uma importante discussão no mundo das paralimpíadas: a classificação de categoria.

Na Canoagem, por exemplo, houve problemas relacionados a atletas que acabaram juntos em uma mesma categoria. Porém, enquanto um conseguia mexer um pouco as pernas, outros, como o próprio Fernando, não sentem nada de parte da lombar para baixo. Outro personagem desse esporte, o ex-peão sul-mato-grossense Fernando Rufino, o Cowboy, também apresenta a sua história – cheia de percalços – e mostra que apesar de tudo o que houve com ele, não se deixou desanimar e nem perder o bom humor.

No Futebol de 5, são apresentados os jogadores da nossa seleção e exibida o Campeonato Mundial desse esporte. O torneio foi realizado em Tóquio, no Japão, em 2014. A edição dos jogos disputados pelo Brasil dá um ar de suspense e o expectador vai ficando ansioso em saber o desfecho.

No último esporte e bloco do longa, a Natação, o paulista Daniel Dias, que teve problemas de formação nos membros superiores e inferiores, mostra as suas conquistas nesse esporte e na vida. Outra esportista da categoria, a carioca Susana Schnarndorf , ex-atleta de ironman, conta como era a sua vida antes de surgir uma doença degenerativa que está, aos poucos, lhe tirando os movimentos do corpo. Mas Suzana deixa claro como o esporte a fez renascer.

O documentário conseguiu em cada parte dele mostrar como esses seres humanos não se deixaram abater por deficiências com as quais nasceram ou que acabaram surgindo ao longo da vida. Marcelo e Peppe deixam as suas personagens contarem suas histórias e mostrarem a importância do esporte nas vidas delas. E o quanto participar dos Jogos Paralímpicos é uma coroação de todo um esforço diário de superação de seus problemas e de superação de si mesmos.

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