Crítica | Florence: Quem é Essa Mulher?

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Parece que os anos 40 tem um brilho próprio que ilumina as telas do cinema tanto nos filmes feitos no período quanto nas obras que apenas se passam nessa época. Essa era romântica é extremamente bem representada em Florence: Quem é Essa Mulher?, que imerge o público na mágico mundo da musica nova-iorquino.

O longa escrito por Nicholas Martin e dirigido pelo veterano Stephen Frears (Alta Fidelidade e A Rainha) conta a história de uma marchand, Florence (Meryl Streep), que arrecada fundos para manter músicos uma cena cultural inteira e ainda conseguindo participar de alguns shows que propicia como atriz. No entanto, Florence tem o sonho de ser uma grande soprana e brilhar na cidade que tanto apoia. A protagonista é casada com um falido ator (Hugh Grant) que mantém um caso com outra mulher e é rodeada por bajuladores que apoiam o sonho daquela mulher apenas por interesses, não levando em consideração que ela não é uma ótima cantora como pensa.

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O roteiro do longa é muito bem construído, sabendo muito bem como dar as informações de sua narrativa, sem se apressar ou criar barrigas entre seus acontecimentos, num ritmo agradável que lembra as melhores comédias clássicas de Hollywood, e num ritmo cadenciado mas muito bem medido, que parece que seu roteirista estava degustando a história enquanto escrevia – o que gera um filme extremamente saboroso.

Além disso, o filme traz uma série de personagens interessantes e cômicos sem precisarem ser exagerados, desde a protagonista título, uma senhora caridosa que apesar da debilidade física tem uma energia jovial para fazer tudo o que pretende pela arte que tanto gosta, até o papel de Hugh Grant que encarna com êxito a figura do adorável malandro, um homem que faz de tudo para a felicidade de Florence, mesmo que isso custe alguns dólares para subornar críticos de musica – mas que dá suas inúmeras escapadinhas – além de figuras como o pianista Mcmoon, interpretado perfeitamente por Simon Helberg (o Howard de Big Bang Theory), numa personagem cômica que tem seu humor na personalidade e atos muito sutis, sem necessitar ser espalhafatoso para divertir.

E essa é uma das grandes qualidades de Florence: Quem é Essa Mulher? O longa é dono de um humor calcado na sutileza, nada é fora do tom ou próximo ao pastelão, dono de uma inocência pouco vista na comédia ultimamente. O filme parece ter saído, de fato, dos anos 40. O filme, assim, é construído em cima de uma série de situações que não precisam ser originais para funcionarem, mas com uma mise-en-scène extremamente pensada isso é mais uma sensação de deleite, uma comédia simples, embora funcional que não precisa caçoar de ninguém para ser boa.

Nesse sentido, o trabalho do inglês Frears na direção é exemplar. Em seu filme mais ‘woody-alleano’, o cineasta transporta seu espectador para aquela cidade, aquele grupo social e aquela época, fazendo um retrato apaixonado desse cenário. Assim, Frears faz um estudo de um sentimento aristocrático que lutava para sobreviver naqueles tempos, um sentimento que até gera estranheza e comicidade, uma vez que aqueles personagens só mantém a pose da aristocracia, já que não possuem grandes títulos ou algo do gênero, são apenas burgueses mantendo uma aura inglesa e isso fazia parte da diversão desse grupo quase que exclusivo e que já vinha disputando espaço com formas culturais mais populares como o jazz, que era o ritmo da diversão noturna daquela cidade romântica.

Essa transposição histórica não acontece somente no âmbito textual, mas sim em todo uma criação estética impecável, que vai da direção de arte ao figurino, mas principalmente na formulação da própria imagem, Frears com o diretor de fotografia Danny Cohen que referenciam os mais diversos filmes do período clássico do cinema americano, em alguns momentos pareciam que alguns planos estavam em technicolor (antiga técnica de coloração de filmes), um esplendor técnico que só engrandece o filme.

Assim como os filmes daquela era clássica, Florence: Quem é Essa Mulher? brilha, não só por suas ferramentas técnicas e narrativas, mas principalmente porque utiliza todos recursos cinematográficos para ilustrar a vida de uma ilustre desconhecida, alguém que lutou pelo seu próprio sonhos e fez isso sem precisar ser agraciada pela mídia ou um círculo influente, mas por seu próprio prazer, uma história que não apenas motiva, mas faz pensar que o sucesso é extramente relativo.

Apesar de ser um filme pequeno, Florence: Quem é Essa Mulher? é um singelo e belo filme, que por sua sutileza e graça se torna brilhante, um filme que faz relembrar em muitos fatores o sentimento de uma época que reluz.

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