Depois de um resultado de crítica morno com Batman vs Superman, a DC Comics apostou suas fichas no Esquadrão Suicida para inovar com uma trama sob a perspectiva de anti-heróis no universo sombrio de Gothan City. Apesar do visual estilizado e do alto hype gerado pelo marketing da Warner, o filme infelizmente decepciona e nunca engata de verdade.

O elenco recheado de atores talentosos da atualidade pouco consegue fazer com o material que têm em mãos, o roteiro sempre parece sabotar o grupo de vilões. Com falhas tão graves no desenvolvimento da história, acaba que o público não cria empatia por praticamente nenhum personagem. O que mais ganha arco dramático é o Pistoleiro de Will Smith que até tenta salvar sua pele na produção, mas morre na praia com os diálogos pouco inspirados.

Em linhas gerais, Amanda Waller (Viola Davis), uma espécie de oficial da inteligência dos EUA, decide montar um grupo de criminosos com supercaracterísticas para lutar contra eventuais ameaças que possam assolar a cidade após o dramático desfecho de Batman vs Superman. Com resistência do governo, ela recruta figuras psicóticas que estão presas em uma prisão de segurança máxima e estabelece uma série de regras para mantê-los sob a rédea curta. Caso não cumpram sua missão, Amanda aciona um dispositivo fatal implantado no corpo dos “heróis”.


De forma tumultuada, o filme apresenta cada um dos vilões como um jogo frenético de videogame. Monta inclusive o background deles com firulas pouco eficientes. Como o grupo é extenso, alguns personagens acabam sendo prejudicados e praticamente fazendo ponta com duas ou três frases de efeito ao longo da projeção, como o pavoroso Crocodilo (interpretado pelo inesquecível Mr. Eko de Lost, Adewale Agbaje) ou a ridícula Katana (Karen Fukuhara) que dilacera tudo que vê pela frente com sua espada que aprisiona a alma do seu ex-marido (?).

Margot Robbie talvez é quem tenha maior tempo de projeção, porém sua Harley Quinn/Arlequina não é engraçada, não convence como psicótica e oferece momentos constrangedores românticos com o Coringa de Jared Leto. O Coringa é um caso à parte, com possivelmente míseros 15 minutos de cena no filme inteiro, o personagem mais irrita do que se revela ameaçador. Se Heath Ledger compôs um assassino frio, cheio de tiques críveis e aterrorizante, Jared Leto não passa de engodo com seu cabelo tingido de verde e sua risada falsa. A composição do vilão de aparelho nos dentes e trejeitos mal explorados, acaba implodindo qualquer chance de sucesso do icônico personagem nas franquias. Baixa o tom Leto!

Com aparições pontuais ao longo da trama, Batman nada acrescenta ao filme, apenas é inserido em cenas aleatórias para justificar os links do universo DC Comics. Outro personagem da futura Liga da Justiça também dá as caras rapidamente (The Flash), com o perdão do trocadilho.

Quem leva o troféu framboesa de ouro de pior atuação sem dúvida é Cara Delevingne, interpretando uma bruxa milenar que se apropriou do corpo de uma arqueologista (??). Esta bruxa é quase que uma representação mal feita de Lo Pan, dos Aventureiros do Bairro Proibido, misturado com o Vingador da Caverna do Dragão. Quando ela começa a destruir com sua força sobrenatural a cidade inteira e a construir um exército de marionetes desfigurados à la Power Rangers, percebemos que o filme desandou e não há mais nada que possa ser feito para resgatar alguma qualidade de roteiro ou do visual da fita.

A trilha sonora, por mais que seja uma seleção cool, aparece indiscriminadamente ao longo do filme e não consegue muito agregar ou ressaltar cenas, talvez com exceção de Bohemian Rapsody, do Queen, que já constava no trailer de divulgação do Esquadrão Suicida.

Mais uma vez a DC Comics perde a oportunidade de construir um roteiro eloquente, que ressalte o universo sombrio de seus personagens. Em contraste com o portfolio colorido da Marvel, DC tem em suas mãos todo um pool de heróis e vilões atormentados, que já foram explorados de maneira muito mais eficiente nas obras de Tim Burton e Christopher Nolan por exemplo.

Fatos devem ser encarados, o filme é muito fraco e não faz jus ao material dos quadrinhos. Por mais que os fãs se revoltem e façam petição para derrubar o site Rotten Tomatoes por ter dado uma nota baixa para o filme, não há muito o que salvar neste Esquadrão Suicida. Talvez Viola Davis seja a única coisa boa da fita, e olha que ela nem precisou de super poderes para desempenhar um ótimo papel. Fica a lição, menos é mais.