Crítica | Perfeita é a Mãe

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Finalmente Hollywood vem tentando desconstruir alguns estereótipos, entre eles o papel da mulher e a visibilidade dentro da própria indústria cinematográfica. Assim, vem sendo repensado a questão da própria representatividade em relação aos gêneros cinematográficos, quebrando a lógica que existe filmes para homens e outros para as mulheres. O que demonstra certo amadurecimento por parte da indústria.

Assim, Perfeita é a Mãe é um típico besteirol americano que coloca suas figuras como mulheres que questionam com humor o papel da mulher da sociedade contemporânea, que deve ser bem sucedida, cuidar de todas as obrigações domésticas e além de tudo ser uma amante incrível. Tudo isso deve ser feito com a maior perfeição sem falhas e atrasos, assim, Perfeita é a Mãe é um atentado à obrigatoriedade da perfeição feminina.

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O longa escrito e dirigido por Jon Lucas e Scott Moore, responsáveis pelo roteiro de Se Beber, Não Case, e acompanha a trajetória de Amy, uma mãe que após descobrir a traição de seu marido decide parar de buscar a perfeição, nessa sua jornada encontra outras duas mulheres que decidem assumir suas imperfeições e procuram se libertarem, fugindo de vez do conceito bela, recatada e do lar. Nessa missão, as mães imperfeitas vão até mesmo enfrentar um grupo de mulheres que julgam todas as outras do bairro, criando regras e julgando o que elas devem ou não fazer.

Assim, é interessante ver como o filme tenta desconstruir esses estereótipos e fazer piada com esse processo, defendendo acima de tudo uma maior liberdade feminina. A grande questão é que como filme de comédia Perfeita é a Mãe consegue cair em todos os clichês possíveis e fazer pouca graça e até mesmo cair em representações que o filme tenta se afastar. Dessa forma, Perfeita é a Mãe é um filme que aposta no humor fácil, raso que nem sempre funciona, tornando o longa apelativo muitas vezes. Parece que sempre que alguma piada não funciona os diretores do longa ligam o slow motion e acionam uma música pop, a fim de tirar graça de qualquer situação.

Aliás, parece que Perfeita é a Mãe é sincronizada com uma playlist de música pop do Spotify, em que quando entraria os comerciais para adquirir o pacote Premium é que consta os diálogos e ações do longa, o excesso de músicas que já fazem sucesso por si só, apenas maquiam a fragilidade do filme e de seu tom cômico.

Outro ponto negativo a ser levantado é como Perfeita é a Mãe trata seus personagens de maneira superficial, sendo extremamente planos e sem profundidade, principalmente em seus antagonistas, o marido de Amy é tratado de forma tão simplista, que é incapaz de gerar um conflito acerca da separação da protagonista. O mesmo ocorre com a grande antagonista do filme, Gwendolyn, a mulher perfeita, uma vilã tão plana que chega a ser totalmente infantil, sem apresentar nuances algumas, parecendo apenas mais um clichê de filmes de comédia, algo que revela a infantilidade das ideias do longa.

Realmente Perfeita é a Mãe é um filme bastante juvenil, assumindo ser exatamente um besteirol adolescente para um público mais velho, como se este não houvesse amadurecido ao longo do tempo. Dessa forma, o filme de Lucas e Moore são um apanhado de piadas sobre sexo, cenas de festas proibidas e cheio de conflitos que realmente parecem fazer parte de uma pessoa de quinze anos, o longa possui até uma eleição que parece mais uma votação para grêmio estudantil, o longa apenas adéqua, de forma preguiçosa, os clichês concebido pela dupla em filmes como Finalmente 18 para o universo daquela mãe de (quase) meia idade.

E é engraçado notar como um filme que tem a boa intenção de inverter e romper estereótipos acaba reforçando alguns clichês em relação a representação da mulher no cinema. Mesmo com a protagonista separada e forte com a decisão, ela parece sempre estar a procura de um homem ou de sexo, como se não houvesse a liberdade dela sem esse fator. Perfeita é a Mãe bem que tenta ser um filme empoderador, mas não cumpre sua missão com tanto êxito.

Assim, Perfeita é a Mãe segue com todos seus tropeços, num longa que soa exagerado com algumas piadas que funcionam, que tenta fugir de certos preconceitos cinematográficos, mas acaba reafirmando outros estereótipos, um filme que não consegue sair do razoável, do regular, sem ter o êxito necessário para se tornar uma boa comédia.

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