Crítica | O Bebê de Bridget Jones

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Mais ou menos como ocorreu em O Casamento Grego, Bridget Jones (Renée Zellweger) também ganha uma continuação tardia. Doze anos após No Limite da Razão, a londrina desajeitada chega aos cinemas mais uma vez em O Bebê de Bridget Jones, e dessa vez no auge da crise da meia idade e a beira de se tornar mãe. A questão nesse tipo de sequência é se ainda há clima, público ou interesse nos personagens e em suas narrativas depois de algum tempo?

Se O Bebê de Bridget Jones não dá uma resposta definitiva a resposta acima, é capaz de mostrar que ainda há o que explorar daquele universo, que talvez o que foi sucesso há uma década ainda pode gerar algo. E, nesse sentido, o longa oferece que sempre tentou trazer em seus filmes anteriores um comédia romântica, leve acima de tudo. Bem verdade que o filme dirigido por Sharon Maguire e escrito a seis mãos por Helen Fielding, Dan Mazer e Emma Thompson transparece ser um produto de outro tempo, de um passado próximo, mas que já evidencia certa lacuna entre o mundo de hoje e o de doze anos atrás.

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Isso fica claro numa recorrente tentativa de atualizar a trama, seja no famoso diário de Bridget Jones que não é mais físico, mas agora reside na memória de um tablet e até mesmo no emprego da protagonista, comandando um tradicional jornal televisivo, que vê todos seus paradigmas serem questionados por uma nova geração. Nesse último caso, há até uma ideia simplista de embate geracional, um filme que se fecha completamente a um diálogo entre gerações distintas, ficando num conflito tão pouco aprofundado que não é capaz de fazer rir e contém ali suas piores piadas.

E se por este lado O Bebê de Bridget Jones expõe suas rugas também carrega consigo certa honestidade, não sendo um filme que a todo momento pede para parecer totalmente contemporâneo e consegue justamente brincar com esse deslocamento. É bastante divertido como o filme mostra Bridget participando de um festival de música, desses tipo Towmorrowland ou Glastonbury, nessa sequência não há apenas a protagonista como um peixe fora d’água não sabendo como lidar com aquele tipo de festa, mas como se filma aquele momento revela esse olhar de outra geração para com aquele local, há ali um registro que contém um distanciamento irônico capaz de rir de si mesmo e constatar que o melhor caminho possível é rir da sua própria condição de fazer parte um universo já considerado velho.

O que O Bebê de Bridget Jones sabe fazer é conseguir divertir em muitos de seus momentos, e isso ocorre justamente por entender suas pretensões como filme. O longa se rende a todos os clichês e exageros que o gênero pode conter e isso funciona muito bem. O sonho de Bridget sempre foi o de viver um romance ideal e o filme se diverte com o que o cinema já produziu nesse sentido, todos encontros e desencontros serão vistos no longa, e mesmo que possa ser previsível funciona justamente pela curiosidade de ver aquela já conhecida protagonistas nestas situações. Com muita música pop, muitas gags e muito romantismo, o filme consegue passar por todos os clichês do gênero, de Let’s Get on de Marvin Gaye ao homem levando sua amada no colo, e gerar um prazer incrível no seu público, exatamente por entender a força dessas imagens e não possuir pretensão de ir além disso.

Assim, O Bebê de Bridget Jones é um filme que preza por sua simplicidade, que parece estar se divertindo junto de seu público. Dessa forma, a premissa parte quase de uma pergunta para aquele universo já conhecido “Como Bridget reagiria a uma gravidez aos 43 anos?” ou ainda “e se essa gravidez tardia acontecesse e ela ficasse em dúvida de quem é o pai, um americano bom partido ou nosso querido Mr Darcy?”. Dessa maneira parece que o filme vai colocando sua personagem em situações mais e mais complicadas, a fim de extrair momentos divertidos, conhecendo os personagens há essa expectativa de como eles reagiriam nessas situações limites, que o público ainda não viu eles passando.

E O Bebê de Bridget Jones necessita mais do que um conhecimento prévio em relação aquele universo, ele carece de um envolvimento dramático com aquelas figuras que provém dos outros filmes. Em cada momento que coloca Bridget e o famoso Mr. Darcy há um acúmulo de sentimentos e de histórias que não estão nesse filme e que não cabe nessa sequência explicar. Assim, se por um lado é difícil conquistar um novo fã também revela uma ligação emocional com os outros longas da série, o que gera uma concisão impressionante numa sequência realizada doze anos depois.

Nesse novo filme surgem também novos personagens que só enriquecem a trama, como Patrick Dempsey como um dos pretensos pais do filho de Bridget, e a impagável participação de Emma Thompson como a médica obstetra totalmente sincera que revela um timming cômico excelente, sendo responsável por grandes momentos da trama. O filme, dessa forma, mostra que Bridget não tinha se esgotado naquele “remoto” ano de 2004 e que essa sequência chega em bom momento, como um filho repentino.

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