40ª Mostra de SP | Crítica: Olhando pras Estrelas

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Olhando pras estrelas joga luz a uma instituição paulistana que forma bailarina cegas. Nessa breve descrição já se entende que o filme será um passeio emocional pelo mundo dessas improváveis dançarinas.

Acompanhando três personagens, o filme entra no cotidiano naquela companhia, tentando mostrar o que há além de uma coreografia. Assim, o documentário foca em Fernanda, professora e idealizadora da organização; Geyza, uma das mais antigas e talentosas bailarinas da escola; e Thalia, uma adolescente que ainda aprende a viver na sociedade com suas limitações e dá seus primeiros passos no balé.

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Intercalando a vida dentro e fora das aulas de dança, o filme busca fazer uma narrativa emocional dos fatos narrados. E se isso funciona, é exatamente porque o filme assume esse seu tom. Olhando para as Estrelas não tem receio de ser um filme comovente, adentrando naquele mundo justamente para fazer um retrato emocionante daquelas vidas.

O filme joga uma importante luz no trabalho feito por Fernanda, mas como dito, isso ocorre muito menos de forma racional, mas sim pelo caráter sentimental da obra. Nota-se a importância daquele projeto pela empatia construída ao longo do filme, como se o sentimento legitimasse o todo trabalho feito naquela escola de balé. Sente-se afeto pelas personagens em cena, o que confere importância ao próprio documentário.

Dessa maneira, o longa assume totalmente esse caráter afetivo, tentando explorar de todas as formas o sentimentos que aquela história pode causar. Olhando pras estrelas fica num perigoso limiar entre o sentimentalismo e o relato emocionante. Felizmente este último é o mais recorrente ao longo da projeção, no entanto muitas vezes extrapola nesse sentimentalismo, fato que acaba atrapalhando o filme. Se aquela história já é emocionante por si só, os diversos aparatos para fazer chorar concedem ao público uma sensação de comiseração desnecessária àquelas personagens.

Algo que também incomoda em Olhando pras Estrelas é seu arrastado final. Apesar de seu pouco tempo de duração – 90 minutos – em dois ou três momentos parece que o filme perde sua grande oportunidade de encerrar sua narrativa, tornando especificamente seus momentos finais um tanto quanto arrastados. No entanto, parece que há um envolvimento tão grande do realizador para com seus personagens que ele deseja mostrar o máximo que pode, tentando ir além a seu registro, mas que acaba simplesmente passando o mesmo recado, como se, de forma desnecessária, prolongasse seu desfecho.

Se isso prova certa irregularidade narrativa, também demonstra um genuíno interesse de seu diretor em ralação a sua obra, mais do que isso, interesse em relação às pessoas que retrata. É exatamente por isso que Olhando pras Estrelas mantém seu afeto durante todo o filme, um longa que felizmente se deixa emocionar pela história que conta.

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