40ª Mostra de SP | Crítica: Quando o Dia Chegar

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Se tem um país europeu que vem se destacando cinematograficamente nas ultimas décadas, esse país se chama Dinamarca. Com realizadores consagrados pelo movimento Dogma 95, até os mais contemporâneos como Nicolas Winding Refn, os diretores dinamarqueses criam a cada ano obras que sempre merecem uma certa atenção. Por conseguinte, Quando o Dia Chegar, do diretor Jesper W. Nielsen, se mostra como mais um filme dinamarquês que surpreende.

Com uma estrutura clássica, Quando o Dia Chegar narra a história de dois irmãos, Elmer e Erik, que devido a doença de sua mãe, problemas comportamentais e a impossibilidade de algum parente se responsabilizar por eles, os meninos são obrigados a se mudarem para um reformatório isolado. Situado na Dinamarca dos anos 60, Quando o Dia Chegar traz toda a sensibilidade e imaginação por parte de seus personagens principais, em contrapartida com a rispidez e sofrimento que os mesmos encaram durante o filme. Elmer e Erik são a prova de que é possível enfrentar a repressão e não só aceitá-la, como muitos.

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Com o avanço da tecnologia, os anos 60 têm como um dos seus grandes marcos a primeira viagem do homem a lua, sendo assim, sabiamente o diretor Jesper W. Nielsen conduz o filme com toda a idealização por parte do personagem de Elmer – uma criança que sonha em um dia ser um astronauta e pisar na lua. Desta maneira, professores e diretores do reformatório reprimem seus desejos e passam a exercer um alto grau de punição com Elmer e também com seu irmão Erik, que enfrentam muita dificuldade de adaptação no local. Contudo, não se pode deixar de elogiar a interpretação dos garotos Harald Kaiser (Elmer) e Albert Rudbeck (Erik), que realizam cenas que exigem tamanha entrega e dramaticidade, dando vida a personagens muito bem escritos e que conseguem transmitir toda a força que o filme necessita.

Heck, diretor do reformatório, é o maior agente opressor do local, um personagem extremamente ditatorial, que busca através de seu reformatório criar homens que não questionam, mas que apenas executam tarefas. Com traços claramente herdados de formas de recrutamento para guerras, Heck age sobre os meninos com extrema crueldade, não chegando ao seu limite devido aos questionamentos expostos através da personagem Lærer Lilian, professora recém chegada, e uma das poucas mulheres do reformatório, que passa a proteger Elmer e Erik dos maus tratos praticados pelos seus superiores.

Apesar de acompanharmos durante todo o filme a trajetória de Elmer e Erik, Quando o Dia Chegar não é exposto pelo ponto de vista dos garotos, e sim através do olhar de um de seus amigos do reformatório, que narra toda a história. Elemento bastante usual, mas que acaba enriquecendo a trama, em virtude do distanciamento e da visão de fora que é trazida para o enredo.

Quando o Dia Chegar é baseado em fatos reais, de meninos que sofreram fisicamente e psicologicamente em reformatórios dinamarqueses durante os anos 60. O filme trata de forma muito dura o ocorrido e não esconde toda tortura que os garotos passaram ali. Porém, o longa abre espaço também para o mundo imaginativo que toda criança carrega dentro dela, principalmente em Elmer, que por meio da fantasia, defronta todos opressores do reformatório.

Com uma sequência belíssima, que totaliza o que era chegar até a lua para Elmer nas atuais circunstâncias que o garoto estava vivendo, Quando o Dia Chegar se apresenta como um filme clássico extremamente maduro, com um tema importante, personagens fortes, uma estrutura sólida, e um final convincente. Uma obra que merece ser vista.

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