Crítica | 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição

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Continuando a franquia Uma Noite de Crime, 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição é pelo que parece a última guinada da série visando novos rumos. Por incrível que possa parecer, o longa de James DeMonaco é claramente politizado e aproveita sua ficção para fazer uma divagação a respeito do momento político americano.

12 Horas Para Sobreviver conta a história de uma candidata a presidência americana que viu toda sua família morrer em um dia de Expurgo e tem seu principal carro chefe a de revogar esse feriado em que todos os crimes ficam impune. O longa também foca na história Joe Dixon e Marcos, um negro e um mexicano, que tem como objetivo proteger sua loja de saqueadores e assassinos naquele feriado do terror. Até que essas duas linhas narrativas se encontram, numa espécie de troca em que o candidato deve ser protegido por seu eleitorado.

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Assim, o filme claramente se apoia na atual conjuntura política. A candidata, Charlie Roan (Elizabeth Mitchell), é mulher, senadora, com ideias liberais, e poderia muito bem ser Hillary Clinton. Seus opositores, homens que dizem estar a favor da família, dos valores morais e da Igreja, mas que demonstram um sadismo único na violência institucionalizada, uma figura que traduz os pensamentos radicais de Donald Trump. Sim, o filme claramente coloca suas posições na tela e da forma mais escancarada possível; se isso por um lado não constrói um diálogo profundo com a realidade – e esse nem é objetivo do filme – 12 Horas Para Sobreviver pelo menos consegue fazer formulações mais maduras a respeito de sua premissa central.

Dessa forma, a ideia de ter um dia em que o crime é legalizado ganha uma perspectiva muito maior do que nos filmes anteriores, numa tentativa de análise de como esse feriado afetaria a sociedade. Assim, o roteiro de DeMonaco tenta, por exemplo, fabular quem lucraria com essa situação, colocando as seguradoras e os políticos que a representam como os maiores beneficiados pela noite de criem. Além disso, o longa levanta que naquele contexto os que mais morreriam seriam as populações de pobres e negros, os primeiros ficando expostos sem condições de serem assegurados e os segundos vulneráveis em relação ao racismo. Utilizando todo um debate vigente sobre a violência racial, presente não só nos EUA, mas por aqui também.

Dessa forma, 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição pretende ser um filme um pouco mais consciente, não fechando os olhos para um debate latente fora das telas. E se em suas temáticas a franquia tomou novos rumos, em seu estilo não é diferente. O longa dialoga muito mais com o gênero de ação do que o pretenso suspense ou terror visto nos primeiros filmes. A fuga da senadora auxiliada por seu segurança, Joe e Marcos, em meio a uma cidade tomada pelo crime, parece muito um longa de ação dos anos 1980, mostrando uma violência extrema em que o cenário urbano torna-se uma praça de guerra, fazendo com que 12 Horas Para Sobreviver seja um filme extremamente frenético, que tem na ação sua grande virtude.

Nessa conscientização, o longa constrói todo um discurso antiviolência; os personagens pegam em armas apenas quando necessário e numa forma radical de se defender contra a violência, a forma como aqueles indivíduos vulneráveis possuem para clamar pela paz. Os heróis de 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição são justamente os pacifistas. O único fator que causa estranhamento é que mesmo com todo esse discurso o longa acaba exagerando no grafismo de sua violência, e isso sempre acontece quando a película está mais próxima do suspense do que da ação, construindo nessas sequências uma espécie de violência romantizada através dos exageros que constrói os assassinatos de seu filme. Mesmo que conscientizado 12 Horas Para Sobreviver parece ter certo prazer em seus crimes.

Dessa forma, com esse novo filme de James DeMonaco, a franquia ganha rumos bem interessantes. Ainda que regado a certos exageros, o terceiro Uma Noite de Crime é um bom filme de ação que faz questão de não se desconectar com a realidade.

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