Crítica | A Maldição da Floresta

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Muitas vezes, o gênero de terror é criticado por uma falta de comprometimento em trazer discussões para o público, se limitando em algo totalmente gratuito com uma forma padrão de realização. Um bom filme de terror sabe trabalhar diretamente com as sensações, fugindo de certos modelos e ainda consegue em seu subtexto trazer questões relevantes para o telespectador.

A Maldição da Floresta, de Corin Hardy, tenta de certa forma ser um “bom filme” de terror, quando aborda questões de extrema importância, como o desmatamento, mas peca no modo como é conduzido a história. O filme se situa com uma premissa básica. Um casal inglês, junto com seu filho ainda bebê, se mudam para uma casa isolada em uma remota cidade na Irlanda. Lá eles são perturbados por monstros que vivem na floresta ao lado.

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Porém, a premissa se torna mais interessante quando sabemos que o pai, Adam, interpretado por Joseph Mawle, está na cidade com a intenção de estudar a floresta para construções posteriores que podem acontecer ali, fato que não agrada os seres místicos que vivem no local, gerando assim um conflito entre ambos.

A relação do desmatamento da floresta com a mitologia Irlandesa é um elemento de abordagem rico em um filme de terror, porém, quando inserido de uma forma superficial se torna apenas um fato secundário que abre mão de uma certa discussão para privilegiar aspectos que teoricamente agradam o público. O diretor Corin Hardy faz exatamente isso, e utiliza elementos clichês no roteiro e também na mise-en-scène do filme, não aproveitando de um tema que teria tudo para ser melhor explorado.

É curioso observar que durante o filme a população que vive naquela cidade ainda mantém a crença em lendas que fizeram parte do imaginário popular daquele local, questão bem trabalhada e que vemos a real importância no momento em que a família inglesa chega na cidade com o intuito de prejudicar de certa forma a floresta, e é mal recebida por essa população. Porém, até mesmo esses seres mitológicos são trabalhados de forma rasa, imagino que se o intuito era explorar o folclore irlandês seria necessário um maior aprofundamento nesses personagens místicos, o que não acontece.

Com sustos gratuitos e algumas cenas longas de ação, A Maldição Da Floresta se desenrola da metade para frente de tal forma, onde tudo fica justificável de um jeito previsível. O que não tira o mérito do longa, que apesar de se utilizar de uma forma mais pronta, ele funciona, e convence através de boas sequências de terror na floresta.

A Maldição Da Floresta acaba se focando muito nos personagens comuns da trama, no entanto, é inegável que o ambiente construído dentro da floresta consegue por meio de um belo trabalho da arte causar todo o medo e pânico nesses personagens, mesmo assim, falta mais intensidade na fantasia daquele local, que em sua grande parte do filme é representado através de cenas que trazem um suspense fatigante.

Entretanto, um filme que aborda a ação do homem sobre a natureza e mostra as consequências deste processo através de um terror que utiliza lendas mitológicas como agente que impede tal desmatamento, merece ser visto, mesmo sendo um filme de terror com uma formula americana feito em território irlandês.

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