Crítica | Jovens, Loucos e Mais Rebeldes

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Jovens, Loucos e Mais Rebeldes é com certeza um filme de memória. Um filme que se recorda afetivamente de um período da vida, omitindo alguns pontos negativos a fim de tornar aquela lembrança mais divertida e idealizada, como uma história que é contada tempo depois. Esse filme é a visão romantizada de Richard Linklater a um momento fundamental para ele e para toda uma geração, os anos 1980.

Assim, exagera-se nas cores, nas vestimentas, nas batidas musicais oitentistas, acima de tudo exagera-se na representação de uma década e isso funciona perfeitamente em Jovens, Loucos e Mais Rebeldes, fazendo com que o espectador deseje aquela década de volta. É dessa forma que o filme acompanha Jake durante três dias que contemplam a chegada do calouro a sua nova casa com os jogadores de beisebol e o começo das aulas, dando uma breve amostra do que será a vida daquele rapaz nos próximos anos e evidenciando o momento de transição que é a faculdade.

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Com isso, Linklater parece extrair o essencial de uma geração e um período de vida, isso, pois se de longe Jovens, Loucos e Mais Rebeldes parece uma fauna de personagens baseados em estereótipos e tipos que podem ser vistos em qualquer filme sobre os anos 80, mas de perto o longa faz um retrato intenso e divertido daqueles seres, mostrando todas suas nuances, seus pensamentos e principalmente suas peculiaridades. São os diversos personagens que fazem de Jovens, Loucos e Mais Rebeldes um dos filmes mais engraçados do ano.

E isso é conquistado, principalmente, pois todos aqueles jogadores de Beisebol de vinte e poucos anos são extremamente críveis, comprovando uma das maiores habilidades de seu diretor, que consiste em colocar uma naturalidade absurda nas falas de seus personagens. O cineasta entende perfeitamente como aquele grupo conversa e sobre o que eles conversam, nesse sentido Jovens Loucos e Mais Rebeldes tem uma série de diálogos despretensiosos engraçados por sua naturalidade, mas que de repente tornam-se divagações sobre a juventude, algo que em momento nenhum soa forçado e é mais uma das mais marcantes características de Linklater.

Assim, se Jovens, Loucos e Mais Rebeldes é irreverente e engraçado, o filme também traz pontos bastante interessantes, como fazer uma espécie de retrato dos mais diversos grupos que habitam aquele ambientem universitário. Os jovens e populares jogadores de beisebol em apenas três dias povoam festas e círculos diversos, cada um frequentado por uma tribo diferente. Assim, onde há cerveja e mulheres aqueles jovens estão e isso dá margem para o filme fazer uma investigação sobre aqueles grupos, a onda do disco, o grupo do country, o movimento punk e o pessoal das artes, tudo isso de maneira orgânica, fazendo um apanhado da música da época e dos pensamentos dela.

Além disso, o filme traz uma reflexão interessante sobre a criação de identidade nessa fase, Jake se incomoda de apenas trocar de roupa e encaixar-se num determinado grupo, e quem já não se sentiu assim, numa busca constante por identificar-se com um círculo social e muitas vezes não encontrar a si mesmo nessa jornada. Dessa forma, sem grandes dramatizações e conflitos Jovens, Loucos e Mais Rebeldes pode ser definido como um passeio por essa vida universitária.

Assim como a grande maioria da filmografia de Linklater, são as andanças e caminhos que definem os personagens do cineasta e cada percurso mobiliza uma reflexão a cerca do íntimo do protagonista, como o amor na trilogia composta por Antes do Amanhecer (1995), Antes do Pôr do Sol (2004) e Antes da Meia-Noite (2013), ou sobre o crescimento nas andanças através do tempo em Boyhood (2014) e aqui sobre o amadurecimento através desse painel que é o campus da universidade.

Jovens, Loucos e Mais Rebeldes é muito mais do que aparenta ser, nesse limiar entre a adolescência e a vida adulta, Jake é um errante tentando se definir, tentando encontrar-se e o filme prova que esse processo não necessariamente precisa ser doloroso, evidentemente que Jake passará por seus dilemas durante a graduação, mas depois dos aprendizados restarão as histórias, as saudades, as memórias, por fim a alegria de ter vivido aquele percurso. Jovens, Loucos e Mais Rebeldes é uma volta ao passado para compreender esse amadurecimento, para entender essa fase tão paradigmática de forma romântica e eufórica como um primeiro dia de faculdade.

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