Crítica | Jack Reacher: Sem Retorno

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Muitas vezes um filme de ação funciona não pelos seus intermináveis tiroteios, ou por suas inacreditáveis perseguições, ou ainda por suas bem coreografadas cenas de luta, mas sim pela presença de um icônico personagem. Alguém que torne toda aquela loucura vista em cena crível e, mais do que isso, interessante. Jack Reacher nada mais é que a tentativa de Tom Cruise de se tornar um ícone desse gênero, o filme produzido por ele mesmo é quase uma desculpa para o ator esbanjar sua autoestima nas suas performances, como já fizeram tantos outros astros do gênero.

E se esse fato poderia até dar certo, parece que há uma crença absoluta na figura de Cruise, como se a presença magnetizante do ator fosse capaz de carregar a sequência, Jack Reacher: Sem Retorno, por si só. De fato tal estratégia poderia ser muito bem utilizada, o longa é construído em torno da figura de Reacher, sendo ele a grande força motriz dos eventos em cena, tudo nessa ficção se da pela ação desse personagem, e uma figura forte como essa acaba sendo abraçada pelo público. No entanto, Jack Reacher: Sem Retorno se esforça para cair em todo o tipo de cliche, seja em sua construção narrativa, ou nos conceitos empregados pela direção do longa.

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Dessa forma, é difícil assistir à Jack Reacher: Sem Retorno sem pensar estar vendo um filme repetido inúmeras vezes. Aqui não há o caso do longa que sabe utilizar os clichês ou estereótipos do gênero, mas sim que leva sua narrativa a sério sem perceber que esta é apenas uma repetição de tantas outras. Sendo assim, Sem Retorno retoma uma narrativa bastante conhecida, a do ex-oficial que precisa retornar a ativa para provar seu valor, no caso, mostrar que é inocente. E seguindo os manuais de roteiro, Reacher também terá sua jornada pessoal, e nada mais cliche do que a descoberta de uma possível filha que terá que proteger e descobrir o carinho existente nele.

Assim é difícil se envolver com algo que soe tão genérico, com muitos furos Jack Reacher se apoia em todos os estereótipos, e a relação familiar do protagonista que deveria humanizar o personagem funciona apenas para justificar os atos violentos de Reacher, como se o filme mostrasse que aquelas ações podem ocorrer pois há uma garota em perigo. Com isso, a trama parece ser uma mera convenção obrigatória para Tom Cruise mostrar toda sua habilidade, demonstrando-se, mais uma vez, ser um filme que gira em torno da figura de seu astro.

Este fato ocorre muito mais pelo conhecimento da carreira de Cruise como astro de filmes de ação do que por sua perfomance propriamente dita. Em Jack Reacher: Sem Retorno o ator basicamente repete seus trejeitos e maneirismos vistos em filmes como Missão Impossível, tentando se valer por sua figura no star system. E se é difícil acreditar na atuação de Tom Cruise é evidente a falta de preparo do elenco de apoio de Jack Reacher: Sem Retorno. Principalmente naquela linha mais dramática é difícil notar alguma emoção na relação entre Cruise, Cobie Smulders (How I Met Your Mother) como Turner a militar parceira de Reacher, e principalmente Danika Yaroshi (Heroes: Reborn), a filha do grande herói. Embora nenhum dos três convençam, assusta o despreparo dessa jovem atriz e como é difícil com que ela demonstre alguma reação ao longo do filme, e muito disso se deve ao texto que não seguraria a atuação nem mesmo de uma atriz veterana.

Assim, nos clichês, nos péssimos diálogos e nas más atuações, só resta a Jack Reacher um trabalho na direção que cumpra seu papel diante de um filme de ação. No entanto, o trabalho de Edward Zwick (O Último Samurai) simplesmente tenta seguir certa moda nos filmes atuais do gênero, utilizando a montagem dinâmica e a câmera em constante movimento a fim de construir uma constante atmosfera de perigo. E logo fica claro que esse não é o estilo do diretor, Jack Reacher: Sem Retorno parece sofrer de um descompasso enorme, em que a câmera treme quando não há necessidade e a montagem parece acelerar num simples diálogo, numa sucessão de planos extremamente rápidos em situações banais. Jack Reacher: Sem Retorno sofre com a tentativa de repetir algo em voga no cinema de ação, mas demonstra um despreparo até mesmo para isso.

Dessa maneira, Jack Reacher: Sem Retorno é um filme baseado na repetição. Um longa construído no método Frankenstein, ou seja, que se faz através de elementos que já deram certo em tantos outros filmes, seja no seu estilo, na sua trama e até na própria figura de Tom Cruise, que apenas se autoreferencia. Sendo assim, Jack Reacher não se torna um ícone do filme de ação, não se faz presente aquele personagem magnetizante capaz de solucionar os problemas na trama e conquistar o público pela sua carisma. Jack Reacher: Sem Retorno parece apenas um exercício para Tom Cruise reforçar sua persona nesse tipo de filme, sem de fato criar algo minimamente memorável.

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