Crítica | O Último Virgem

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É fato que um dos viés de um pretenso cinema industrial brasileiro é a aproximação ou até mesmo cópia dos gêneros do cinema americano. Nesse quesito parece muito mais interessante quando as obras nacionais se apropriam desses elementos para construírem algo genuinamente brasileiro (ainda que essa definição seja bastante complexa). O Último Virgem é basicamente a tentativa de uma reprodução de um besteirol a la American Pie, que retira dali apenas uma fórmula como se algumas (ou no caso várias) piadas sobre sexo fossem a chave do sucesso.

O Último Virgem tem a premissa mais comum desse tipo de filme, Dudu, um menino inteligente (leia-se nerd) do último ano do colégio precisa perder a virgindade antes de entrar para faculdade, seus três amigos vão tirar o dia para cumprir essa missão. Desde então o filme já revela sua inocência perante ao gênero, não há nada de novo que se possa esperar em O Último Virgem, uma simples repetição do que já foi visto em tantos outros produtos, algo que taxa esse longa com uma ingenuidade adolescente desde seus primeiros minutos.

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O longa começa com uma pequena esquete em que o protagonista está tendo um sonho erótico com diversas garotas, entre elas a sua professora, o protagonista se masturba em seu quarto, sua mãe está prestes a entrar, o garoto ejacula em sua mão e limpa num mamão ao lado de sua cama, a mãe desavisada come a fruta com esperma, numa gag que não estaria nem no pior programa humorístico dos anos 2000. O filme, então, segue para seus créditos iniciais em que os layouts sugerem formas de camisinha e pênis, revelando, em seus primeiro momentos, seus três pontos adolescentes: uma erotização total, a obsessão por objetos fálicos e a crença na graça de todas as piadas presentes naquele texto.

Assim, O Último Virgem é um filme que parece ter sido realizado no estado de cio, uma obra que enxerga em qualquer lugar alguma obsessão sexual, tudo o que se torna feminino é erotizado, algo que chega a ser desrespeitoso em todos os âmbitos. Seja na visão estereotipada em que se vê o sexo feminino, como se nota na figura da sensual professora, interpretada por Fiorella Mattheis, reproduzindo apenas um dos mais antigos clichês eróticos. Ou até ficar completamente sem noção, é necessário que se note que o Último Virgem se passa no último ano de ensino médio, ou seja, a grande maioria das personagens sexualizadas pelo roteiro de Lipy Adler (este também ator do filme e escritor da peça em que o longa foi baseado) e L. G. Bayão e pela direção de Rilson Baco e Felipe Bretas possuem menos de 18 anos, promovendo uma cultura da novinha assanhada e provocando até mesmo um julgamento moral em torno deste atos feminino; por exemplo, uma personagens feminina é “punida” com uma tentativa desrespeitosa de sexo a três por namorar o pegador do colégio, enquanto os meninos estão liberados a caçarem sua transa pela noite.

Talvez sem noção seja o adjetivo perfeito para O Último Virgem, o que nos faz chegar ao segundo ponto dessa imaturidade, sua relação obsessiva com objetos fálicos. O longa transforma o pênis num grande tabu, em que sua onipresença em cena devesse cumprir um papel cômico, mas torna-se apenas constrangedor, como se não soubesse o que ser feito com tal órgão. Evidentemente que isso leva o filme à caminhos bastante perigosos, sugerindo a todo o momento um tom homofóbico em suas piadas, ligando o ato de ser virgem com homossexualidade, ou ficar com outro homem como a maior heresia presente no mundo. Esse profundo receio a uma questão homoafeativa ou a sempre presente brincadeiras penianas demonstram apenas uma fragilidade na masculinidade que sempre deseja mostrar.

Dessa forma, é engraçado como isso passa por todos os personagens principais do filme, figuras que contém certa características (exageradas é claro) que de alguma forma atrapalham seu desempenho sexual, como o próprio Dudu e sua nerdice, ou como os amigo gordinho ou o companheiro maconheiro, todos estes construídos no auge do do estereótipo. O único que foge desse tom é Escova (interpretado pelo próprio Adler) apresentado como o líder da turma, conselheiro sexual dos garotos, fazendo a linha pegador experiente, deixando evidente que aquele personagem é interessante apenas para quem o escreveu, mas para o restante aparenta ser apenas aquele garoto da turma que se acha, mas no fundo não tem nada de interessante.

Esse é justamente o terceiro ponto infantil da trama, acreditar seriamente que tudo ali realmente faz graça. Não poupando piadas preconceituosas a nenhum tipo de grupo seja ele um menino acima do peso, mulheres, ou os geeks do colégio, O Último Virgem apela para um humor que não encontra mais espaço no ano de 2016 de tão escrachado que é. E isso ocorre justamente por uma total inocência em relação ao próprio gênero, comprando uma ideia ultrapassada há anos, hoje o besteirol funciona muito mais como uma auto-sátira, uma piada com o próprio gênero do que levando suas premissas a sério, vide alguns filmes dirigidos pelo James Franco nessa linha.

Nessa simples cópia de um gênero já em reformulação, O Último Virgem é um filme completamente imaturo e infantil, que cai nos mais notórios clichês, um longa que se limita a ser apenas um pretenso besteirol brasileiro, ainda que não haja espaço algum para esse filme seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo.

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