Crítica | Rainha de Katwe

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Uma menina analfabeta, de apenas 11 anos, moradora de uma das regiões mais pobres da capital de Uganda, Kampala, descobre o xadrez completamente por acaso. Conforme a garota vai conhecendo o jogo, percebe-se o potencial que aquela criança muito simples tem em jogá-lo, tornando-se umas das principais jogadoras de seu país. Resumidamente, esse é a história – verdadeira – na qual é baseado o filme Rainha de Katwe.

Rainha de Katwe é uma coprodução entre a Disney e a rede de canais de esporte ESPN. Como falado anteriormente, o longa conta a história de Phiona Mutesi (a estreante Madina Nalwanga). Phiona e sua mãe viúva Harriet (a ganhadora do Oscar por 12 Anos de Escravidão, Lupita Nyong’o), além de seus irmãos, andam pelas ruas de Kampala vendendo milho. Porém, seu irmão Mugabi Brian (o também estreante Martin Kabanza), desaparece todas as tardes, enquanto deveria estar trabalhando para ajudar a sustentar a casa.

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Um dia, Phiona o segue e descobre o que ele faz toda à tarde: Mugabi vai um barracão no qual um engenheiro desempregado e jogador de futebol, Robert Katende (David Oyelowo, de Selma: Uma Luta pela Igualdade) ensina as crianças pobres o jogo de xadrez. É desta forma que a jovem Phiona toma contato com o jogo.
A vida levada por Phiona e sua família, a maneira como ela descobre o jogo e como ela vai assimilando todas as lições passadas por Katende e pelo xadrez é muito bem desenvolvida pelo roteiro escrito por William Wheeler. Apesar da pouca experiência com roteiros de cinema, como, por exemplo, do filme, O Vigarista do Ano (2006), Wheeler conseguiu imprimir um ritmo ao filme que deixa o espectador sentir todo o drama vivido pela jovem. O roteiro, porém, é baseado em artigo e livro sobre Phiona Mutesi escritos pelo jornalista norte-americano, Tim Crothers.

O roteiro de Wheeler tornou-se um longa pelas mãos da diretora indiana, radicada nos Estados Unidos, Mira Nair. Mira conduz a história com sensibilidade e habilidade aos mostrar detalhadamente a origem de Phiona, o contexto no qual ela vivia e crescia no bairro de Katwe e como uma mãe de quatro filhos, viúva, e que já tinha perdido uma filha, conseguia se manter em pé e enfrentar de cabeça erguida as diversidades que iam surgindo.

Os momentos de aprendizado de xadrez no qual Phiona confronta seus amigos de cursos, chamados por Katende de pioneiros, e os campeonatos nos quais todos eles participam também foram muito bem realizados pela diretora Mira. As cenas transmitem a tensão pela quais aquelas crianças de uma das áreas mais pobres de Uganda passam quando se veem em lugares e convivendo com pessoas que nunca imaginariam conhecer.
A força da história contada também é se deve a fotografia do norte-americano Sean Bobbitt (12 Anos de Escravidão, 2013). Sean soube explorar os momentos nos quais Phiona passa por momento de dúvida ao confrontar a vida que leva com a vida que o xadrez lhe proporciona. O que acabava deixando-a chateada por não poder melhorar a vida de sua mãe e de seus irmãos.

A edição do inglês Alex Heffes (Mandela: O Caminho da Liberdade, 2013) conduz a história de Rainha de Katwe de forma leve e sem atropelo. Uma história como a de Phiona Mutesi realmente não se encaixaria em um filme cujo ritmo fosse muito acelerado. Não faria o menor sentido. Assim, como o jogo de xadrez, a história de Phiona precisava ser entendida em suas mínimas escolhas e movimentos.

Falando em movimentos, um aspecto que também acaba complementando o longa é a trilha composta por Barry Alexander Brown. Barry (O Doador de Memória, 2015), porém, em alguns momentos, confundiu tensão com medo. A música composta acabou sendo mais para uma cena de um filme de suspense do que para uma cena de aflição. Mas de maneira geral, o restante da trilha composta por ele serve aos propósitos de reforçar as emoções pelas quais os personagens em cena estavam passando.

Rainha de Katwe conta uma história que representa, também, a de muitos jovens brasileiros que por pura falta de oportunidade como escolas e o aprendizado de um esporte acabam não sendo tendo seus talentos descobertos e, consequentemente, poderiam mudar a sua vida e a de todos ao seu redor. É uma pena nos darmos conta da quantidade de vidas que poderiam ser mudadas se nós, brasileiros, prestássemos atenção ao outro.

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