Crítica | Sully: O Herói do Rio Hudson

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Pousar um boeing cheio de passageiros no meio de um dos maiores rios dos Estados Unidos é um ato extremamente notável, e nada mais justo chamar de herói alguém que após essa arrojada manobra manteve a vida de mais de 150 pessoas. Sully é quase uma homenagem em forma de filme ao ato heroico do piloto Chesley Sully Sullenberg. E o longa é justamente sobre o que é ser um herói.

Sully começa com a imagem de um avião caindo e o piloto, aqui representado por Tom Hanks, desperta do sonho, naquele momento a narrativa se encontra no momento posterior ao fatídico acontecimento. Sully já está sendo reconhecido por todos como herói, todavia sendo questionado por seus supervisores, que alegam imprudência na manobra do experiente piloto.

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É muito inteligente a estratégia de começar o longa após o grande ocorrido, utilizando-se do conhecimento prévio do público para habitar sua história. A imagem de um Boeing estacionado no meio do rio Hudson ocorre primeiro na cabeça do público do que no filme. Dessa maneira, o que se vê na tela é um profundo questionamento sobre as ações de Sully, enquanto o filme propicia uma lembrança constante daquele fato. A grande questão de Sully é como duvidar do heroísmo daquele ato.

Sendo assim, é necessário entender que o cinema de Clint Eastwood, o diretor mais clássico de Hollywood formalmente e narrativamente falando, é um cinema do herói, que elege uma figura central e infalível para conduzir sua narrativa. Sully é esse homem, personagem que desde o primeiro minuto se sabe de sua condição heroica, esta nunca é questionada pelo espectador, como se a câmera de Clint deixasse claro que ali há alguém irrevogável, apesar do que se fala. Assim Sully, como tantos outros filmes do diretor, é a trajetória de um personagem para provar o que já é sabido, sua condição heroica.

Esse fato faz com que Clint não faça filmes que apenas acompanhe seus heróis, mas sim que assumam os valores daquele personagem como o ponto moral da obra. Não é como se o longa mostrasse o que é certo ou errado, mas sim o que aquele homem, no caso Sully, acha ser o caminho correto. Dessa forma, os filmes de Eastwood seguem a moral de alguém, e isso é apenas uma prova do heroísmo daquele ser, não há o que ser questionado em um homem que segue seus preceitos em todos os âmbitos possíveis.

Em certo ponto da trama, Sully está num bar sendo consolado pela bebida, o protagonista tem a ideia que pode fazer convencer seus supervisores da legitimidade de seus fatos, nesse momento ele sai correndo do bar, e Eastwood faz um plano detalhe do dinheiro deixado por Sully embaixo do copo de bebida que nem havia sido tomada. Ou seja, a moral de Sully e sua inquestionável condição operam em qualquer situação, seja num bar ou numa cabine de comando.

Nessa condição, o filme Sully propõem uma interessante inversão no roteiro, fazendo com que a prova cabal do heroísmo de Sully seja vista pelo público. Assim, o filme volta no tempo e começa a mostrar os momentos que antecederam o grande acontecimento. Aqui não ocorre um jogo entre passado e presente, mas sim como se o filme optasse a seguir uma nova linha narrativa, colocando no roteiro a causa após a consequência.

Assim, Clint Eastwood demonstra, mais uma vez, ser um habilíssimo manipulador de emoções, a primeira vez que é mostrado o fatídico evento o diretor foca sua câmera nos passageiros, o trajeto de uma série de pessoas do saguão do aeroporto ao embarque, mostrando em pouquíssimo tempo a vida e os planos daqueles personagens, conferindo a máxima importância a pessoas comuns. Dessa forma, é impossível não se importar com o ato realizado a seguir por Sully, o personagem não é herói por conseguir a proeza de fazer um dificílimo pouso forçado no meio do rio Hudson, mas sim por preservar a vida daqueles passageiros, passageiros estes que o público em pouquíssimo tempo já os conhece e se importa.

Após isso, o filme faz um segundo retorno àquele acidente, através das conversas gravadas pela caixa preta do Boeing entre o piloto e Jeff Skyles, copiloto do avião interpretado por Aaron Eckhart. Nessa segunda volta ao passado a câmera fica durante o trajeto inteiro na cabine de comando, mostrando todas as ações feitas naqueles tensos momentos, evidenciando a cautela, a coragem, mas também o medo daquele homem, humanizando o ser prestes a se tornar herói, como se o filme fizesse uma cronologia da apoteoso sem se esquecer como aquele sujeito também é homem de carne e osso.

Sully: O Herói do Rio Hudson é uma evidência, uma homenagem ao heroísmo daquele homem. Um filme que utiliza de sua elegante simplicidade, para construir e provar a existência de um herói, e nesse caso, ele chama pelo no de Sully.

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