Crítica 2 | Animais Noturnos

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Algumas vezes o cinema abre espaço para artistas dos quais ainda não tiveram experiência com a sétima arte, concedendo assim, através dele, a possibilidade de se expressar de diferentes formas, podendo utilizar a liberdade artística como grande artefato inventivo para uma maneira distinta de se fazer cinema. Tom Ford, um dos estilistas mais consagrados mundialmente, é um desses, que conseguiu tal fato ao dirigir o longa-metragem Direito de Amar, e também com sua nova obra Animais Noturnos.

Baseado em um livro, assim como seu primeiro longa, Animais Noturnos carrega a capacidade de transformar um filme em uma experiência sensitiva e estética, onde a atmosfera criada influencia diretamente a recepção fílmica. E são muitos os detalhes que compõem tal obra que consegue esse feito, principalmente através da concepção do seu estilo, que por trás tem um criador completamente envolto ao seu conceito.

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Entretanto, mais que isso, Animais Noturnos busca apresentar o real poder que a arte tem de dialogar com experiências pessoais, de diferentes pessoas. A história do filme gira em torno de Susan Morrow, interpretada por Amy Adams, que acabara de receber um romance escrito pelo seu ex-marido Edward Sheffield (Jake Gyllenhaal) e, ao lê-lo, se depara com situações que repercutem diretamente no seu comportamento, devido elas se assemelharem de alguma forma com sua vida pessoal.

Tom Ford, através de uma montagem paralela, executa essa correlação entre o real e o que está escrito no romance de Edward, de forma primorosa. O ambiente em que somos envolvidos dentro do livro, que por sinal leva o título de “Animais Noturnos”, manifesta de alguma forma, todo o sofrimento que Edward passou na sua vida pessoal, onde através do seu alter ego Tony – também interpretado por Jake Gyllenhaal – é retratado da forma mais brutal possível o extremo dessa dor.

Esse exagero por parte da representação metafórica presente no livro escrito por Edward, é acompanhado de certa forma, até mesmo pelo diretor do filme, Tom Ford, que por vezes acentua a dramatização de algumas cenas, mas que não atrapalham no recebimento do filme, uma vez que seu estilo foi definido muito antes, e pecar pelo exagero, condiz com a própria ideia inerente nas diferentes camadas dessa obra.

Mesmo beirando para uma análise subjetiva, Animais Noturnos também contém elementos mais objetivos, que tornam o filme, além de uma obra que exige um aprofundamento particular, um filme que tecnicamente é impecável em sua concepção artística, onde fotografia e arte dialogam de forma categórica.

Em suma, Tony e Susan – nome original do livro em que o filme foi baseado – são personagens que impactam tanto no micro quanto no macro, tanto nas nossas experiências pessoais, quanto na questão de mostrar como a arte dialoga com nossas vidas. Animais Noturnos é uma experiência necessária para entendermos um pouco mais sobre nós mesmos.

Crítica | Animais Noturnos

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