Crítica | La La Land: Cantando Estações

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2013, último ano em que um filme musical foi indicado ao Oscar na categoria de melhor filme com Os Miseráveis. Antes disso, somente em 2003 com Chicago, um musical havia disputado o mesmo prêmio. Vemos assim, uma atual desvalorização desse gênero que já fez tanto sucesso no passado de Hollywood. Posto isto, La La Land: Cantando Estações aparece não somente como herdeiro de um gênero, mas também como precursor de uma possível nova fase do mesmo, inovando em busca de dar continuidade a um modelo muito querido pelo público.

Antes de iniciar uma análise mais a fundo, é preciso afirmar que o diretor do filme Damien Chazelle (de Whiplash), com La La Land deixa de ser uma promessa e se torna uma realidade dentro do cinema americano. Seu novo filme acima de tudo mostra uma grande sofisticação de um cineasta novo, que carrega uma enorme experiência consigo.

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Com uma cena inicial magnífica, onde a câmera passeia por uma avenida através de um plano sequência onde a primeira performance musical é mostrada, posteriormente apresentando os personagens principais da trama, introduz da melhor forma possível o que veremos ao decorrer do filme. Ryan Gosling no papel de Sebastian, um pianista de Jazz, e Emma Stone no papel de Mia, uma atriz em busca de trabalho em Hollywood, interpretam de forma encantadora esses personagens extremamente intrigantes.

Alguns encontros acontecem entre os dois, porém, diferentemente de outros filmes, a relação entre ambos vai se postergando a cada encontro. Então somente após esses esbarros, Sebastian e Mia começam a trilhar uma jornada juntos. Uma trajetória acima de tudo de aprendizado, onde mais que evidenciar o teor romântico que ambos vivem, há a necessidade de mostrar o quanto um interfere na vida do outro de forma positiva ou negativa, em momentos bons ou ruins.

Temos então, apesar de momentos necessários com acontecimentos inevitáveis de soluções simples para o andamento do roteiro, uma história que foge do trivial, concebendo assim, personagens que se modificam ao longo da trama. Muitas vezes o problema de um filme musical é justamente quando as performances musicais comprometem o desenvolvimento do roteiro, o que não é o caso de La La Land, que transforma essas cenas em grandes atrações que sempre estão inerentes ao script.

As qualidades do filme também se manifestam através de uma trilha sonora excelente, uma decapagem onde a câmera passeia pelo cenário, e uma direção que consegue captar os sentimentos de cada momento vivido pelos personagens de Gosling e Stone. Trilha sonora, esse parece então um dos elementos fílmicos que Damien Chazelle mais se interessa e se aprofunda em seus filmes.

Com Whiplash, o diretor já mostrou toda sua capacidade no trabalho sonoro, tanto em seu Design de Som, quando na própria trilha. Jazz seria então sua zona de conforto, então por quê não experimentá-lo em La La Land também? Quase todos os grandes cineastas demonstram de certa forma essa “zona de conforto”, onde figuram alguns de seus filmes de maiores sucessos. Resta então esperarmos Chazelle se aventurar em outros campos, capacidade sabemos que ele têm de sobra.

Por esse e outros motivos, La La Land: Cantando Estações merece então todos os elogios que já vieram e virão pela frente. Com um final que lembra bastante uma das cenas de Mommy, de Xavier Dolan, onde um futuro imaginário é exposto nas telas, La La Land mostra que é possível sim, resgatar a essência dos musicais Hollywoodianos, por meio de referências e até mesmo estruturação, mas também é possível inovar através do uso de diversos elementos técnicos e narrativos que dialogam com nosso tempo atual.

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