Crítica | A Bailarina

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O nível da animação em 3D alcançada por estúdios como Pixar, Dreamworks e Ilumination criaram um abismo entre os longas americanos nesse formato e o do restante do mundo. Felizmente a animação não vive apenas do 3d e o que pode competir com esses grandes estúdios são filmes que seguem por rumos completamente opostos no quesito técnico e estético, caso, por exemplo, do bem sucedido O Menino e o Mundo. A Bailarina, longa de origem francesa e canadense opta por desafiar aqueles grandes estúdios, seguindo uma cartilha que funciona perfeitamente para os gigantes da animação, seguindo pelas mesmas opções técnicas e narrativas.

Esse fato torna logo de cara A Bailarina um projeto ambicioso. Tentando conquistar um público mal acostumado com o alto nível das animações não só pela sua pretensa qualidade técnica, mas também por seu roteiro facilmente identificável. Situado na França do século XIX, o longa conta a história de uma órfã que acompanhada de seu melhor amigo foge do orfanato para Paris, onde almeja ser bailarina de uma grande companhia de dança.

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Assim essa busca popularidade está enraizada em todo o projeto de A Bailarina. Seja no roteiro que se utiliza da boa e velha jornada do herói, de fácil identificação e assimilação, quase uma regra nas animações. Seja na trilha musical que troca a música clássica associada ao bale pelo ritmo pop nas sequências de dança.

Outra opção rumo a essa popularidade é a escolha dos dubladores, optando por nomes conhecidos do público, no original é Elle Faning que encabeça o elenco e por aqui a atriz mirim Bel Maia. Justamente é tratar essa busca por popularidade como se fosse um manual que A Bailarina apresenta pontos que deixam a desejar. Essa gana por ocupar o posto daqueles estudios, aqui já citados, faz com que o longa fique sem numa sombra impedindo que suas grandes características fiquem um tanto quanto apagadas.

O que fica bem evidente nessa penumbra com certeza é esse abismo técnico que separa A Bailarina dos grandes blockbuster de animação. Vez ou outra fica evidente que a película não tem os mesmo recursos de uma Pixar, evidenciando a precariedade de sua animação. A narrativa quando tenta levar o filme a algum momento mais pretensioso também falha, como uma batalha de dança do meio das gigantescas escadas da companhia de balé, ou o momento em que a vilã persegue a mocinha com uma força desmedida, uma vez que essa personagem pouco apareceu no longa, dois momentos que soam exagerado até mesmo para uma animação.

As melhores coisas de A Bailarina residem justamente no oposto de suas pretensões. É na simplicidade que o filme se encontra. Dono de um humor ingênuo que lembram as boas e velhas gags corporais, personagens caindo de maduro ou batento em postes, o filme consegue agradar nesses momentos não tão pretensiosos.

Um deles, por exemplo, a relação entre a protagonista e seu companheiro de fuga que na capital da França se torna uma espécie de romance. Também órfão, o garoto, um aprendiz de inventor, tenta de toda a forma impressionar a garota mesmo que ela atraia olhares mais interessantes que ele, construindo momentos que poderiam ter saído de um desenho como Tom e Jerry, com o garoto bolando mil e um planos para conquistar suas amiga mesmo que não tenha um centavo no bolso. Esse momento de ingenuidade funciona justamente por esse pré-conhecimento em relação a esse tipo de pior, nem sempre é necessário ser diferente para funcionar, ainda mais quando fica Clara essa ingenuidade sensível.

O mesmo ocorre no núcleo que concentra a protagonista e sua tutora, ou mentora seguindo os passos da jornada do herói. E quando a personagem principal encontra força numa faxineira manca que esconde seu passado nos palcos é onde o filme tem seus melhores momentos. Numa espécie de treino à moda Karatê Kid do balé, a professora propõem métodos incomuns para que aquela garota finalmente aprenda a dançar. E a medida que isso vai acontecendo ambas personagens vão se conhecendo. Aqui o filme constrói uma relação de fácil assimilação e que facilmente pode ser premeditada. Todavia mais uma vez o longa encontra em momentos simples uma simplicidade e leveza que o torna extremamente agradável.

A Bailarina que concentra seu cenário numa Paris em que seu símbolo máximo, a Torre Eiffel, ainda não está completa. E isso é bem utilizada para que essa paisagem fique distante de um lugar comum. E esse momenumento em construção é como o próprio filme, um longa que almeja certa grandiosidade, que deseja habitar um lugar de destaque, mas tem sua força nas coisas mais simples, como uma viga de metal que ainda não foi colocada em seu lugar, mas que de repente serve perfeitamente para o cenário de um filme como este.

A Bailarina é um filme simples que gostaria de ser grande e mesmo assim consegue divertir.

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