Crítica | A Glória e a Graça

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Representatividade, eis uma questão pouco abordada dentro do cinema nacional, principalmente quando falamos no universo das travestis. Não me recordo de algum filme recente – a não ser o próprio A Glória e a Graça – que traga como protagonista uma travesti. E quando, de certa forma, temos uma protagonista, essa representatividade é escondida, por exemplo, com Minha Mãe é uma Peça, que traz um ator (homem) vestido e interpretando uma mulher. Porém, no filme a personagem é uma mulher, e não uma travesti ou até mesmo trans.

No caso de A Glória e a Graça, há sim uma protagonista travesti, mas quem a interpreta é uma mulher cissexual e não uma travesti. Ou seja, ainda não alcançamos a real representatividade necessária, nós a escondemos de algum modo. Mas ainda assim, é um passo para tal feito. Interpretada por Carolina Ferraz, Glória é a personagem da qual me refiro. Juntamente com sua irmã Graça (Sandra Corveloni), ambas protagonizam um filme, que em sua totalidade se mostra uma obra, no mínimo, confusa.

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Graça, mãe solteira de dois filhos, descobre que está com uma doença terminal; sem nenhuma pessoa em mente que possa ajudá-la nessa difícil fase, Graça opta por procurar sua irmã Glória, com quem não fala há anos devido a um desentendimento. De início o filme se desenvolve em dois blocos, de um lado acompanhando a vida de Graça com seus dois filhos, e do outro a vida de Glória.

A discrepância entre esses dois blocos se mostra muito clara, tanto roteiristicamente falando, onde encontramos uma personagem totalmente abalada e cheia de problemas (Graça), e outra muito bem sucedida e satisfeita com suas realizações (Glória); quanto tecnicamente também, na sua realização, onde a atriz Carolina Ferraz se destaca muito mais na sua interpretação, já Sandra Corveloni acaba apelando para uma atuação exageradamente melodramática.

Quando esses blocos se juntam e as personagens passam a dividir o mesmo espaço, o filme então ganha vida, mas por incrível que pareça isso não se dá através da relação entre as irmãs, mas sim na relação entre Glória e os filhos de Graça. O filme se propõe então, em diversos momentos, construir um embate e diálogo entre Glória, Papaula e Moreno (filhos de Graça) em relação a sexualidade.

Glória tem seus êxitos mostrados no filme, mas também suas derrotas, provindas quase sempre de uma relação social preconceituosa, onde até mesmo sua irmã em algumas ocasiões, age de forma intolerante. Desta maneira, mesmo através de uma representatividade escondida através do ator/atriz, o diretor Flávio R. Tambellini consegue representar bem as diversas camadas do preconceito presente na sociedade em relação aos travestis.

Desta forma, A Glória e a Graça é um filme que têm seus méritos, principalmente em sua concepção de tema. Mas sua forma, em geral (fotografia, atores e roteiro) acaba atrapalhando e tirando o foco de uma discussão necessária e urgente no nosso cinema nacional atual.

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