Crítica | Mulheres do Século 20

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Mesmo tendo concorrido ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original, e tendo duas indicações ao Globo de Ouro, sendo uma delas em Melhor Comédia ou Musical, Mulheres do Século 20 foi um filme pouco comentado antes, durante e depois das grandes premiações da sétima arte. Talvez porque seja um longa-metragem de baixo orçamento e pouca divulgação, mas o fato é que, agora, estreando em circuito comercial no Brasil, o filme – mesmo com alguns problemas mais específicos – merece toda a atenção do público.

Mulheres do Século 20 é um filme que se propõe, mais que tudo, em fazer uma representação dos anos 70 nos Estados Unidos, apontando e identificando os agentes presentes em tal época. Desta forma, o longa, didaticamente, constrói uma narrativa que entrega ao telespectador os fatos e acontecimentos que cercaram e influenciaram diretamente essa sociedade representada, para então situar as personagens da trama, uma por vez, através de uma narração.

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O filme busca expor a história de três mulheres que (quase) dividem uma mesma casa. Três mulheres de gerações diferentes. A mais nova, Julie, com seus 17 anos de idade, a do meio, Abbie, com seus quase 30 e a mais velha, Dorothea – mãe de Jamie, que tem por volta de 50 anos. O diretor Mike Mills opta então, por fazer um recorte delicado, representar o feminismo e sua influência na vida dessas diferentes mulheres. Sem dúvidas, uma escolha de certa forma problemática, já que é um diretor homem contando uma história de três mulheres feministas em pleno anos 70.

Porém, Mike Mills opta por utilizar um garoto (filho de Dorothea), de apenas 15 anos de idade, que sem pai, observa e narra suas experiências dentro desta casa, juntamente com essas mulheres. Não que esse fato resolva totalmente essa problemática, mas ameniza, ainda mais quando percebemos que estamos lidando com um filme autobiográfico, em que este garoto, provavelmente um dia foi o próprio diretor. Assim sendo, inevitavelmente Mike Mills acaba construindo um ambiente e uma interpretação por parte dos atores extremamente naturalista, onde o diálogo presente no filme, se mostra o principal elemento da obra. Mulheres do Século 20 não busca se desenvolver como uma narrativa clássica, mas sim como um registro do momento presente (anos 70).

O filme divide muito bem o tempo de tela entre as personagens, sempre com Jamie presente, afinal o longa tem o ponto de vista dele. O garoto acompanha, observa e interage com todas as personagens. Com Julie, uma menina que praticamente mora em sua casa devido o alto grau de aproximação entre ambos, onde lá, sempre conversam sobre as angústias que cercam os jovens nessa idade, principalmente sexo. Com Abbie, dialogando sobre bandas e movimentos característicos dessa época. E também com sua mãe Dorothea, relação representada através de cenas extremamente profundas e reflexivas, trazendo muito desse embate geracional, onde ambos tem muito o que aprender um com o outro. Logo, o filme se desenvolve através da influência que essas mulheres exercem na vida de Jamie, onde mesmo tendo um homem que mora de aluguel nessa mesma casa, o garoto opta por ouvir e dialogar sempre com as mulheres presentes.

O longa também traz momentos mais poéticos através de efeitos visuais, como a aceleração das imagens e a adição de cores surreais, repito, sempre em uma tentativa de representação do que era os anos 70 nos EUA. Incerts de fotografia e até mesmo imagens de arquivo também são usados para reforçar essa tese. E curiosamente talvez seu grande demérito, se é que podemos chamar assim, mora nesse campo. Não só através da imagem, mas também por meio do som, que a todo momento é rodeado por incessantes narrações dos próprios personagens em cima da própria vida deles, se tornando algo repetitivo e cansativo.

Desta forma, Mulheres do Século 20 é um filme que por ser quase autobiográfico, é possível visualizar claramente a entrega e a sensibilidade presente em suas diversas camadas. É um retrato particular não somente dos anos 70, mas também da influência de algumas mulheres do século XX na vida de um garoto, por meio de um ponto de vista do próprio diretor.

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