Crítica | Os Smurfs e a Vila Perdida

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Parece que estabelecer uma franquia de Os Smurfs é um certo desejo entre produtores e estúdios. Após dois filmes que mesclavam atores reais com animação, o terceiro longa da série volta-se apenas para o mundo animado, numa proposta muito mais simples, que parece ser o indício de um bom recomeço para esse universo composto por essas criaturas azuis.

É engraçado como, mesmo os Smurfs não tendo uma constância tão marcante nas mídias, as criaturas sempre tiveram um público cativo, como se tivessem uma carisma e um apelo popular intrínseco a suas figuras, formas e estilos. Os Smurfs e a Vila Perdida entende perfeitamente a força desses personagens, nesse novo longa-metragem não há a necessidade dos Smurfs dividirem a tela com nenhum humano, ou ator de carne e osso, aqui eles são o centro da atenção, como deveria ser.

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O filme, dessa forma, assume-se como um recomeço para a saga. No início o público é convidado a conhecer a vila dos Smurfs e nome a nome cada personagem marcante, é assim que a película introduz sua trama. Os Smurfs e a Vila Perdida é um longa fundamentalmente sobre a única fêmea da turma, a Smurfette. Nessa introdução conta-se como a personagem foi criada – a partir de um feitiço do vilão Gargamel com o objetivo de caçar Smurfs pela floresta, mas que acaba trocando de lado com a ajuda do Papai Smurfs -, e também é introduzido o grande conflito da protagonista. Diferente dos demais Smurfs, a Smurfette não tem (ou acha não ter) nenhuma característica marcante, e sua jornada será para descobrir o que a define.

Assim com ajuda de Robusto, Gênio e Desastrado, Smurffete segue para a floresta, onde afirma ter encontrado rastros de uma tribo de Smurfs na parte mais perigosa do local e precisa avisar que Gargamel quer raptar essas criaturas. Paralelamente, o vilão da hisória trama uma série de armadilha para caçar os Smurfs. Bastante ingênuo, Os Smurffs e a Vila Perdida segue através da simplicidade, sem grandes pretensões para realizar um filme divertido e com o digno desejo de conter uma moral da história.

A estrutura narrativa do longa lembra a dos antigos desenhos animados de comédia à la Hanna-Barbera (estúdio que levou os Smurfs para a TV). Ou seja, um grupo de heróis bastante cômicos que parte para uma jornada, mas seu objetivo só será alcançado fugindo das diversas armadilhas de um vilão, que sempre acaba se dando mal. Retomando esse padrões antigos de narração Os Smurffs e a Vila Perdida possui uma fácil assimilação de sua trama, como se esse sentimento conectasse rapidamente o espectador com a trama e embarcasse naquela aventura tão simples, prazerosa e que de quebra rememora um estilo que vem se perdendo.

Essa ingenuidade está presente também no tom cômico do longa, algo contido nas artimanhas de Gargamel e seus comparsas. É curioso como Os Smurfs e a Vila Perdida trabalha essa figura do malfeitor atrapalhado, em que o mal só se torna incapaz de acontecer, como se esse universo, mesmo com a presença de um vilão, não fosse afeito a maldades. Com uma série de gags simples, como uma infinidades de tombos, piadas corporais e a relação de Gargamel e seu gato – personagem mais inteligente que o próprio vilão da história, o filme faz com que seu público tenha momentos divertidos, que ganham o espectador justamente por sua simplicidade e ingenuidade.

Além da sua funcionalidade cômica e de sua simplicidade narrativa, Os Smurfs e a Vila Perdida conta com essa jornada da protagonista, algo que confere ao filme esse tom de moral da história, uma essência narrativa que busca espelhar seu público naquela trama. Evidentemente que isso é destinado ao espectador mais novo e infantil, mas há nesse projeto o desejo de passar uma lição, sem que isso soe enfadonho, ajudando o público a aderir aquilo que é contado. A história de alguém que deseja entender suas características e, assim, fazer parte de um grupo é a normalidade tanto para crianças quanto para adultos. Ainda nessa chave da simplicidade, Os Smurfs e a Vila Secreta buscam, até mesmo, um paralelo com o mundo real.

O longa dirigido por Kelly Asburry ainda é eficiente em seu desenho de produção e os meios pelos quais essa narrativa é transmitida. O filme entende suas proporções, algo que por muitas vezes é limitante, é bastante perceptível como há sempre planos bem próximos dos personagens não investindo em cenários e visuais grandiosos, deixando o projeto num lugar confortável, se visualmente nada salta aos olhos do público, o filme também não se compromete a construir algo que não se concretizaria por completo.

O diretor ainda consegue trabalhar muito bem a visão dos personagens, quando os Smurffs estão em suas vilas é realmente crível que tudo ali seja do tamanho real, que suas casas poderiam ser como a de qualquer humano, mas quando vão para outro ambiente (o covil do Gargamel, por exemplo) fica claro o quão minúsculas são aquelas criaturas. Ou seja, no lar dos personagens o espectador tem uma visão normalizante do mundo daqueles seres, mas quando estão fora de suas casas tudo parece desafiador e muito maior, o público partilha dos sentimentos daqueles protagonistas.

Consciente de sua simplicidade, Os Smurffs e a Vila Secreta aposta na sua inocência para reconstituir um universo que os filmes anteriores teimavam em se recusar. Com uma trama despretensiosa, um humor ingênuo e uma moral da história bem colocada este terceiro longa dos Smurfs é um ótimo recomeço.

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