Crítica | Rock Dog

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Algumas fórmulas são difíceis de fugir. Narrativas que encontram o caminho imediato da aceitação popular, sem que isso seja feito sem grandes dificuldades ou alguma coisa do gênero. Talvez, o cinema de animação seja um dos que mais sofra com essa dependência formulaica, por sua imediata relação com um público mais infantil (proposição muitas vezes equivocada). Fato é, que na maioria dos casos, salvo exceções como o belo e poético A Tartaruga Vermelha (2016), as animações estão ligados a fórmulas narrativas, conceitos pré-concebidos que poderiam ser colocados na planilha. Diante de algo tão engessado, talvez uma boa saída seja abraçar de vez esses conceitos e fazer um filme dentro desses padrões, às vezes funciona.

Rock Dog é um típico exemplo disso, uma animação voltado a um público mais infantil e que cumpre todos os itens de uma narrativa clássica, buscando dialogar e agradar sua audiência. É, dessa forma, que a coprodução China/EUA consegue um resultado básico com forte apelo emocional. Em outras palavras, Rock Dog faz o dever de casa, se não é ousado, se não pretende desafiar seu público (ainda que seja infantil), se prefere seguir uma fórmula bem definida, pelo menos nesse ponto se sai muito bem, entregando um longa acima de tudo afetivo e agradável.

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Rock Dog conta a história de um cão que vive numa pequena cidade em cima de uma colina sempre com medo de um possível ataque violento por parte de lobos. O protagonista, Bodi, foi criado para ser o grande guarda da cidade, treinando o inesperado exército de ovelhas da cidade, algo inventado por seu pai grande defensor da cidade. Todavia, o grande sonho de Bodi é ser um músico na cidade grande. Mesmo contrariando seu pai, o personagem parte rumo aos seus sonhos, mas seu lugar de origem nunca sairá daquele cão.

Pela premissa e por sua abordagem, Rock Dog evoca certas imagens que já foram vistas mais de uma vez no cinema de animação recente. Assim, o longa segue uma conturbada relação entre pai e filho, a utilização de animais antropomorfizados, a ida à uma cidade grande como representação de um lugar para materialização dos sonhos, a figura de um estereótipo de falta de humildade, entre tantas outras coisas. Dessa forma, o filme traz poucas coisas que possam realmente surpreender ou fazer algo de novo, mesmo o público que tenha contato apenas com as animações dos últimos cinco anos já viu o que Rock Dog oferece. No entanto, mesmo extremamente conectado a essas imagens fáceis das animações, Rock Dog prende pela emoção e como toda essa narrativa é amarada de forma simples.

É ótimo como conflitos extremamente explorados voltam aqui sem alguma pretensão, jogando muito na chave da simplicidade e isso, de forma muito eficiente, toca seu espectador. O grande trunfo da animação é justamente conseguir explorar essas relações entre seus personagens, extraindo disso uma empatia muito forte com o público. Nesse sentido, há dois conflitos centrais em Rock Dog, entre Bodi e seu pai, e o segundo entre o protagonista e o grande astro da música que se encontra na cidade grande. O primeiro traz antiga tônica do embate geracional e como muitas vezes as tradições não podem ser seguidas por uma série de motivos. Assim, o arco acontece muito menos pelo embate entre os dois personagens e mais pela falta que um faz na trajetória do outro. Rock Dog faz com que pai perceba as qualidades do filho, e vice-versa, através da ausência de cada um, algo que toca o público diante da obra.

O segundo ponto é entre o protagonista e seu grande ídolo roqueiro, um felino arrogante sem criatividade para seu novo álbum. A dinâmica entre ambos se dá pela persistência de Bodi para conhecer e treinar com seu grande ídolo, aos poucos o protagonista vai demonstrando seu valor musical, convencendo aquele gato famoso que o garoto não é mais um mero fã que toca em sua porta. Assim, ocorre uma dupla troca entre os personagens, enquanto Bodi tem sua arte chegada à plenitude, o felino, Angus, percebe o ser que está se tornando.

Angus é fundamental também por introduzir de vez um componente fundamental em Rock Dog: a música. Se elas pincelam a trama, as canções indie rock açucaram a trajetória daquele protagonista e seu duplo arco narrativo, em relação a seu pai e em relação a sua carreira. Até mesmo a canção composta para o filme cumpre bem esse objetivo, fazendo com que embale a trama, com um sentimentalismo bem dosado e simplicidade.

Rock Dog, em linhas gerais, não dá grandes avanços nem promete muita coisa nova, porém é como uma boa e velha canção pop, indo muito bem aos ouvidos sem grandes pretensões.

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