Crítica | Baywatch

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Com certeza não se deve julgar nenhuma obra pela capa, muito menos começa-las com algum preconceito. Todavia, alguns filmes dão fortes indícios daquilo que se deve esperar. Mais do que pela arte e os cartazes, Baywatch: S.O.S Malibu aparentava ter uma certa ideia de filme que causava certo tipo de repulsa. Não é para outra, o longa se resume a longos minutos de repetições sem fins dos mais frágeis clichês.

O filme é uma adaptação totalmente rearranjada da famosa série que colocou a musa Pamela Anderson no mapa. Baywatch começa mostrando todo seu repertório litorâneo, principalmente de seu protagonista, Mitch Buchannon (Dwayne Johnson), o salva-vidas querido por todos, responsável pelo salvamento de inúmeras pessoas e que cuida daquela areia como se fosse a extensão de sua casa. Aquela figura é o homem a ser seguido, seja por suas façanhas, seja por seu valor. Estar em sua equipe deveria ser o sonho de todo jovem em Malibu.

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Assim, a primeira parte do longa concentra-se na seleção para os novos ajudantes desse famoso salva-vidas. Uma acirrada disputa é colocada em cena, cada um com suas qualidades tentando alcançar seu posto. Fato é, que em meio a essa competição chega Matt Brody (Zac Efron), um nadador com fama de garoto problema, vencedor de duas medalhas olímpicas, mas envolvido em uma série de polêmica. O protagonista vai até aquele lugar para cumprir sua pena revertida em trabalhos sociais. Ou seja, alguém com responsabilidade zero e sem alguma necessidade de passar pelo rigoroso processo de Mitch.

O filme embarca numa narrativa recheada de testosterona, como se tudo naquela praia remetesse aos impulsos sexuais. Nesse sentido, tudo é pautada por essa masculinidade, ou no mínimo um estereótipo do que é másculo. O conflito principal é Mitch tentando mostrar a Brodi alguns valores, mas essa relação é abordada através da força, do poder e do sexo. Mitch é mais forte, mais sarado e se dá melhor com o sexo, mesmo aquele garoto sendo Zac Efron após horas de academia. Em linhas geras, Brody ainda é um garoto, enquanto Mitch um homem, e a masculinidade se limita a esses três fatores citados.

Essa é também a lógica do humor no longa, sempre ligado a essa retrograda ideia de masculinidade, como se o sexo, principalmente o masculino ainda fosse um tabu. Baywatch limita-se a girar em torno desse apelo sensual, objetificando os corpos, tanto os masculinos como (principalmente) os femininos, onde a câmera lenta, ainda que muitas vezes seja uma piada, surge como desculpa para ver Alexandra Daddario, Kelly Rohrbach e Ilfenesh Hadera em seus trajes extremamente apertados. Em primeiro lugar a cooptação da audiência deve passar por essa atração física.

Assim o longa tem quase que exclusivamente seu apelo cômico nessas referências ao sexo, pelo menos na sua primeira parte. Baywatch faz de tudo para conseguir tirar um riso e nisso vai apelando em todos os sentidos, o filme ganha contornos adolescentes, e o órgão sexual masculino parece gerar mais graça do que deveria, pelo menos para os realizadores de Baywatch. Assim, vale até mesmo fazer com que um dos personagens prenda seu pênis numa cadeira de praia, por mais bizarro que isso possa parecer.

Entre alusão sexual, poderio de masculinidade e eternas referências penianas, Baywatch sustenta-se através de vários clichês, há o gordinho tecnológico desastrado que dificilmente teria chance com a musa do filme, a nerd sensual, o bad boy bonitão, a femme fatale, entre tantos outros. A única vez que a piada surge de forma mais despojada, sem apelação é quando Mitch troca o nome de Brody pelo de bandas ou artistas que remetem ao passado High School Musical do astro. Todavia, se isso é engraçado na primeira, na segunda e forçando na terceira vez isso perde a graça repetido a exaustão, algo que ocorre no longa.

Pelo menos há uma segunda parte um pouco mais digerível no longa, de repente Baywatch entra numa narrativa totalmente absurda, uma conspiração envolvendo uma grande milionária de Malibu. O filme abraça um humor que visa o ridículo, não se levando a sério em momento nenhum. Coincidentemente é nesse momento que aparece um pênis no filme, óbvio de mentira e como uma piada, mas pode ser bastante significativo dizer que o longa abraça aquilo que parecia querer se afastar.

Há nesse momento uma constante ironia no longa, como se realmente aquilo nunca pudesse ter sido levado a sério. Evidentemente esse fato não eximi a culpa de Baywatch, o filme segue acreditando e sustentando seus clichês do minuto inicial até seus créditos finais e aquelas cenas de making off. No entanto, o longa se sai muito melhor nesse tom de se levar ao ridículo, ao não acreditar nem mesmo nas piadas que estão sendo realizadas.

Num momento, até mesmo aquela figura icônica construída em torno de Mitch e Dwayne Johnson é ruída, tornando-se um material para uma comédia baseada num sarcasmo interno. É como se o filme em determinado momento compreendesse que nada daquilo poderia de fato a ser considerado, ou sustentado pelo público. Algo que não é colocado desde o início do filme, mas sim com o decorrer da obra, evidenciando sua impossibilidade de seguir com aquela comédia adolescente de verão. Uma hora as piadas sexuais acabam, uma hora até mesmo belas garotas em slow motion cansam.

Baywatch é filme que não sustenta seus próprios parâmetros. As suas bases estabelecidas em clichês extremamente anacrônicas fazem com que toda aquela narrativa não tenha muita margem. Resta então essa segunda parte, mais irônica, mais jocosa consigo mesmo, sabendo das inconsistências de seu projeto. Conforme o prometido, Baywatch entrega muito pouco.

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