Crítica | Como Se Tornar um Conquistador

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A comédia não é um gênero nada fácil, se talvez de longe possa parecer algo raso e superficial, esse é um gênero que requer muito estudo e compreensão da narrativa que se constrói. A comédia exige um entendimento profundo do espectador para saber o momento exato quando ele deve rir, quando ele deve se entreter, quando ele deve se aliviar com uma piada, ou estar atento a narrativa como um todo. A comédia necessita de um entrosamento entre texto, direção e atuação para que todos estejam num mesmo timing.

Diante de tantas dificuldades, com um errôneo pensamento que este é um estilo bastante reciclável, não é difícil encontra filmes que se apoiem em premissas básicas da comédia, pensando ser este um caminho confortável e seguro. Como Se Tornar um Conquistador segue justamente esse perigoso trajeto, um longa que se utiliza de uma ideia muito presente na comédia, sem que isso seja de fato bem trabalhado, bem aproveitado e que não se entregue a todos os clichês e sensos comuns da comédia.

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O longa conta a história de um homem que fica (falsamente) rico por ter casado com uma mulher bem afortunada, depois de anos se aproveitando e tendo uma vida de luxo, o protagonista, Maximo (Eugenio Derbez), é abandonado e se vê longe da fortuna que tanto gostava. O homem deve então se contentar com uma vida menos abastada e vai procurar abrigo na casa de sua irmã mais nova que vive apenas com seu filho, mas Maximo está verdadeiramente pensando em seu próximo golpe.

Essa narrativa é bastante comum e traz figuras de fácil assimilação para qualquer tipo de público. Há o típico papel do trambiqueiro que faz de tudo para se dar bem, mas que no seio familiar pode recuperar alguma empatia. Nessas circunstâncias o filme segue blocos e pontos bastante óbvios em sua narrativa, por exemplo, o mal estar entre os irmãos, apresentando uma desconfiança pelo modo como aquele homem sempre viu o mundo, a figura fofa do sobrinho fazendo um contraponto emocional para ser o motivador da mudança do protagonista, e o homem que percebe necessitar mudar de vida, mas acaba fazendo isso de forma totalmente equivocada.

Como Se Tornar um Conquistador assume que essa narrativa já pré-assimilada com algum apelo emocional é uma chave infalível para conquistar o público, como se assumisse um lugar confortável pela receptividade de uma história como essa. Fato é que nesse sentimento o longa parece descuidar de sua própria construção, como se tudo pudesse no final ser contornado pelo açúcar composto por essa premissa.

O problema justamente não é possuir uma história já vista em tela, mas sim acreditar que apenas isso é suficiente para a construção do filme, apoiando-se enormemente dos clichês para sustentar suas quase duas horas. Dessa forma é difícil encontrar em Como Se Tornar um Conquistador elementos que possam encorpar o longa, a fim de envolver seu espectador sem causar danos. O que já é bastante marcante nesse sentido é a construção do personagem principal, um homem fascinado pelo dinheiro que vê seu sexo apenas como um caminho para seu objetivo, ao longo do filme há essa tentativa de fazer com que Maximo mude de pensamento, mas as ações que ele tomam sempre são opostas a esse objetivo, fazendo com que seja causada uma forte antipatia com aquela figura. Como se o filme desejasse uma mudança moral louvável, mas se rendesse aos atos meios tortos do protagonista por parecer engraçado.

Nesse meio do caminho, entre assumir o que seu personagem é ou tentar fazer um conto engraçado sobre um homem que muda seu pensamento em relação à família, Como Se Tornar um Conquistador une os clichês de uma narrativa melosa com uma comédia baseada num apelo sexual bem rasteiro. Assim, o longa parece nunca se definir entre uma comédia família e um besteirol escrachado, no mais o filme se torna uma tentativa desesperada de conquistar seu espectador seja pelo lado emocional ou pelo riso fácil.

No início, logo fica entendido como a projeção entende o humor. A gramática básica da comédia diz que o cômico está no inesperado, a primeira sequência do longa mostra o protagonista ainda criança esperando seu pai voltar de um período de trabalho, a piada se constitui de maneira que o patriarca ao chegar entra com um caminhão na casa e tudo aquilo acaba numa gigantesca explosão. Se a regra é surpreender que isso aconteça da maior forma possível, o que acaba estragando a própria surpresa, ou seja, a tentativa de fazer rir é tão gritante que acaba minando qualquer possibilidade de comédia. Dessa forma, tudo é marcado por essa acentuação da surpresa, fazendo de Como Se Tornar um Conquistador um filme sempre em exagero, que não consegue entender o tempo de sua comédia, excedendo aquilo que propõe.

Esse exagero cômico está em todo o longa, e em contrapartida tenta através de seu lado fofo balancear o filme e conquistar o público. A figura do sobrinho, totalmente oposta ao tio, é que faz o papel do aprendiz do conquistador, seguindo as dicas do tio, que revela pensar o sexo oposto com muita depreciação. Ainda que o filme tente condenar os pensamentos apresentados por ele, o filme não deixa de rir com a figura do garoto como um típico nerd, ou com a situação da senhoras loucas por um amante mais novo, uma figura bastante problemática. Assim, sem a empatia necessária, sem a narrativa bem planejada e entregue aos clichês, Como se Tornar Um Conquistador demonstra não ter afinidade alguma para comédia.

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